As chuvas intensas que vêm atingindo o Sudeste do país estão deixando muitos estragos nas áreas urbanas. Mas qual o impacto dessa forte chuva na agricultura? A umidade tem origem no Oceano Atlântico e é fruto do fenômeno atmosférico cavado, […]
As chuvas intensas que vêm atingindo o Sudeste do país estão deixando muitos estragos nas áreas urbanas. Mas qual o impacto dessa forte chuva na agricultura? A umidade tem origem no Oceano Atlântico e é fruto do fenômeno atmosférico cavado, que acontece quando há ondulação no fluxo de ventos em vários sentidos junto a zonas de convergência.
Em apenas um mês, 2020 já deixa marcas históricas. Belo Horizonte registrou a chuva do ano inteiro somente em janeiro, somando 932,3mm. Os estados de Espírito Santo e Rio de Janeiro também foram bastante afetados pelas tempestades, que devem se manter sobre a região em fevereiro por causa da Zona de Convergência do Atlântico Sul.

Segundo o Gerente de Produtos do Climatempo, João Castro, a mudança climática fica cada vez mais irrefutável: “Estudos indicam que haverá uma maior incidência de eventos de chuvas intensas localizadas, sendo a maior concentração de calor um dos fatores que deverão contribuir para a maior incidência desses eventos”.
Castro explica que, no longo prazo, o ponto que mais deve chamar a atenção é a variabilidade da distribuição das chuvas, o que afetará diretamente a agricultura. Nesse cenário, de acordo com ele, o agricultor terá como aliado o acompanhamento sistemático do Zoneamento de Risco Agroclimático, para que decisões sobre a época de plantio sejam mais precisas e permitam boas produções.

Monitoramentos do Climatempo mostram que o período de chuvas do início deste ano está favorecendo as principais culturas de verão no Centro-Oeste, no Sudeste, em parte do Sul e no Matopiba. Especificamente em Minas Gerais, há um bom desenvolvimento das lavouras e predomínio de áreas com anomalias positivas do índice de vegetação, tanto em áreas do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba quanto do noroeste do estado.
Como a água é o principal insumo da produção agrícola, o professor do Departamento de Agronomia da UFV Leonardo Pimentel explica que o impactos da chuva no meio rural são menores do que no urbano. “O excesso pode causar prejuízo, mas no meio agrícola, a chuva é mais benéfica do que maléfica”, diz. O professor sinaliza que podem ocorrer transtornos, como alagamentos momentâneos, incidência de algumas doenças e dificuldade na colheita. No entanto, períodos de seca são muito mais preocupantes para os agricultores.
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