Percevejos: o que é, quais os danos e formas de controle
Percevejos: o que é, quais os danos e formas de controle Percevejos: o que é, quais os danos e formas de controle Percevejos: o que é, quais os danos e formas de controle Percevejos: o que é, quais os danos e formas de controle

O guia dos percevejos: tudo sobre o principal inimigo da lavoura

4 min de leitura

O agronegócio no Brasil é marcado pela agricultura intensiva, as monoculturas, e as plantações em áreas extensas. Nesse cenário, os produtores lidam com problemas agrícolas relacionados ao controle de pragas todos os dias. Na soja, os percevejos assumem o papel principal.   Considerados como alguns dos principais agressores da cultura, os percevejos se […]

por Syngenta Digital
Percevejos: o que é, quais os danos e formas de controle Voltar
Percevejos: o que é, quais os danos e formas de controle
percevejo verde na rocha

O agronegócio no Brasil é marcado pela agricultura intensiva, as monoculturas, e as plantações em áreas extensas. Nesse cenário, os produtores lidam com problemas agrícolas relacionados ao controle de pragas todos os dias. Na soja, os percevejos assumem o papel principal.  

Considerados como alguns dos principais agressores da cultura, os percevejos se reproduzem com facilidade e são capazes de provocar até 30% de perdas na produtividade, danificando grãos e causando o abortamento de vagens. Ao se alimentarem de variadas partes das plantas, atacam a cultura ao longo das últimas etapas de desenvolvimento, afetando a qualidade da colheita. 

Conheça as características dos vilões da soja e saiba como combatê-los! 

Glossário do percevejo  

Os percevejos são o grupo de insetos que mais tira o sono do produtor. No Brasil, os mais relevantes à cultura da soja pertencem à família pentatomidae, um conjunto de insetos sugadores que atacam ramos, vagens e grãos, injetam toxinas, comprometendo a produtividade da lavoura.  

Compreender o ciclo biológico dos percevejos tem sido tão importante quanto identificar a presença de adultos nas lavouras. É preciso conhecer o comportamento desses insetos no ambiente, tanto na lavoura, quanto em outras plantas hospedeiras, que podem se tornar a principal fonte de infestação. 
 

Como é a colonização de percevejos na soja? 

No fim da fase vegetativa (Vn) e início da fase reprodutiva (R1 e R2), com a migração advinda dos hospedeiros alternativos, a colonização de percevejos inicia! Logo em seguida, já na fase R3, com o início da reprodução, o número de ninfas aumenta drasticamente.  

Entretanto, é na fase R4, já no final do desenvolvimento das vagens, e R5.1, início do enchimento dos grãos, que o produtor precisa estar mais alerta. Esse é o momento de maior suscetibilidade ao ataque de percevejos pentatomídeos, quando ocorre também o aumento das populações. Esse período crítico persiste até a fase R6, quando os percevejos atingem seu maior volume na lavoura. Mais tarde, com o início da maturidade, já na fase R7, este número começa a diminuir. 

Nas fases seguintes, R8 momento da desfolha natural até R9, na maturidade plena, é possível encontrar insetos em algumas plantas que tiveram atraso fisiológico e a dispersão em direção às plantas hospedeiras alternativas. 

 

Espécies Primárias  

Percevejo-marrom (Euschistus heros) 

ciclo do percevejo marrom

Espécie considerada a mais abundante nas lavouras de soja do Brasil. Nativo da Região Neotropical, adaptado às regiões mais quentes, é mais abundante do Norte do Paraná ao Centro-Oeste brasileiro. 

Este percevejo pode se alimentar de diversas plantas como as leguminosas, mas na soja tende a completar três gerações. No período do verão, pode se alimentar da erva daninha leiteiro, conhecida cientificamente por Euphorbia heterophylla. Já no outono, o percevejo-marrom inicia sua busca por abrigos sob a palhada, fase conhecida como diapausa. A diapausa ou dormência é o que permite a sobrevivência do percevejo neste período adverso. Ele vive sem se alimentar, utilizando apenas a energia que estava armazenada, do mês de maio a novembro, isto é, até o próximo verão. Esta estratégia de permanecer em dormência sob a vegetação por cerca de sete meses impede que se torne alvo de parasitoides e predadores, garantindo, assim, maior sobrevivência e abundância. 

A longevidade média do percevejo-marrom adulto é de 116 dias. Os ovos são depositados em pequenas massas de cor amarela, principalmente, nas folhas e vagens da soja, mas quando está próximo da eclosão das ninfas, tendem a apresentar manchas róseas. Essas ninfas recém-eclodidas são alaranjadas com a cabeça preta, medem cerca de 1,3mm e se mantém sobre os ovos até o segundo instar. Mesmo iniciando sua alimentação nesse momento, as ninfas do percevejo marrom provocam danos às sementes somente a partir do terceiro instar. 

Os danos causados pelos percevejos-marrons são consequência dos ataques feitos durante sua alimentação nas vagens e nos grãos de soja, já que, com suas picadas, são capazes de retirar a reserva de energia presente no grão.  

Percevejo verde  (N. Viridula 

ciclo do percevejo verde

O percevejo verde é natural do Norte da África, mas tem distribuição mundial. No Brasil, é mais adaptado em regiões mais frias, por isso é mais abundante no sul do país!  

Um dos seus principais destaques é sua capacidade de se manter em atividade durante o ano todo em regiões com temperaturas mais amenas, diferente do percevejo-marrom. Após a colheita da soja, na região sul do Brasil, ele hiberna sob cascas de árvores ou em abrigos como fendas em troncos. Um destaque importante: nesta época, troca de cor! Fica castanho arroxeado. Assim, como o percevejo-marrom, o percevejo verde coloca seus ovos, preferencialmente, nas folhas.

 Percevejo verde-pequeno (P. Guildinii) 

ciclo do percevejo pequeno

O percevejo verde-pequeno é originário da Região Neotropical, apesar de possuir vasta distribuição. Adaptado a explorar a soja como fonte nutricional, provocava os maiores danos na região Sul, especialmente, no Rio Grande do Sul. Porém, desde as últimas safras, isso tem mudado e, hoje, ele é encontrado com mais frequência tanto no Sul como nas regiões produtoras do Norte e Nordeste do Brasil. 

Completa três gerações em soja no período do verão. Em seguida, diferente do percevejo-marrom, não entra em diapausaCompleta uma quarta geração ao se deslocar para as leguminosas como o feijão, alfafa, ervilha, anileiras, entre outras. Sendo assim, no período do inverno, na entressafra, o percevejo verde-pequeno se alimenta das anileiras, mas não se reproduz nessa época! Com o fim da estação mais fria, uma quinta geração é completada nas anileiras, até iniciarem a colonização da soja, no final da primavera.  

 Piezodorus guildinii, normalmente, alcança seu maior número na lavoura antes das outras espécies, mas sua densidade populacional só tende a aumentar e causar mais danos à soja, durante o final do enchimento de grãos e maturação, momento mais adequado para o seu desenvolvimento. Como o percevejo verde-pequeno está presente na cultura da soja do momento do seu florescimento até o fim do ciclo é uma das espécies que provocam os maiores danos. 

 MIP, monitoramento e os percevejos  

Vale destacar que são muitas as interferências que o produtor deve estar atento ao pensar a dinâmica da praga. As diferentes datas de plantio entre as propriedades vizinhas ou os períodos prolongados de plantio na mesma propriedade são exemplos dessas interferências. Além disso, quando são plantadas de forma antecipada — as variedades precoces — as infestações de percevejo também podem se antecipar, gerando aumento do dano nas variedades plantadas posteriormente.  

Assim, é necessário que monitores de campo analisem as lavouras para que seja possível antecipar danos e evitar prejuízos. É preciso identificar todas as fases da praga (posturas, ninfas e adultos), vistoriar as áreas destinadas ao plantio, atento às espécies nocivas à cultura a ser plantada. 

Manejo Integrado de Pragas (MIP) é implementado nas lavouras com o intuito de reduzir, ao máximo, os danos causados pelos ataques de insetos na cultura da soja, além de reduzir o uso de inseticidas. Uma vez que, seu uso incorreto pode ser responsável por populações elevadas e desequilibradas. Em outras palavras, o produtor de soja é capaz de, por exemplo, fazer as aplicações necessárias apenas nos focos de infestação dos percevejos e durante estágios iniciais da praga, contendo seu desenvolvimento e impedindo que adentrem, ainda mais, nas plantações. 

Além de realizar o monitoramento de percevejos com frequência e assertividade, usar defensivos de alta qualidade é parte importante do processo de assegurar a eficiência das operações e a qualidade da produção da soja. 

Formas de controle dos percevejos

Esse é um dos momentos mais decisivos para o produtor! É no controle de sua lavoura que o produtor poderá evitar e, em alguns casos, minimizar os danos. 

CONTROLE QUÍMICO 

  •  Uso de inseticidas em locais selecionados  

Os processos de colonização dos campos de soja pelos percevejos se iniciam nas margens da lavoura. Quando se elimina esta população inicial nestas áreas, geralmente, tende a ser suficiente para o controle nos períodos críticos de ataque.    

CONTROLE BIOLÓGICO 

O controle biológico é a forma de regulação de uma população por meio de inimigos naturais. Ou seja, organismos são utilizados para a diminuição dos efeitos daqueles que são indesejáveis (pragas, doenças e plantas daninhas). Assim, aqueles que são desejáveis, como culturas agrícolas, árvores, animais e insetos serão beneficiados.  

Dessa forma, segundo publicação realizada pela Embrapa, em 2014, com a utilização do controle biológico, através da liberação, incremento e conservação de inimigos naturais (parasitoides, predadores e microrganismos) é possível impedir que os insetos-praga atinjam níveis capazes de causar dano econômico. Além de não deixar resíduo no ambiente, o controle biológico é atóxico para o homem. 

Existem três tipos:  

  • Controle Biológico Natural

    Este diz respeito àquelas populações de inimigos que já existem de forma natural no ecossistema. Assim, é necessário promover práticas culturais que permitam sua preservação e forneçam as condições necessárias para seu desenvolvimento natural, para que seja possível um controle biológico mais eficiente.  

  • Controle Biológico Clássico 

Neste caso, é feita a importação de agentes de controle biológico, quando um agente biológico efetivo no controle é buscado na região de origem da praga-alvo. 

Após esse processo, os insetos passam por um período de quarentena. Liberam-se pequenas amostras de insetos na mesma área para permitir que a população do inimigo natural se estabeleça na área. É uma medida de controle de médio a longo prazo, dependendo da espécie de inimigo natural e da região. 

  • Controle Biológico Aplicado 

É definido pela liberação de grande número de inimigos naturais em determinada cultura, após criação em massa em laboratório, visando rápida redução da população de pragas. 

CONTROLE ALTERNATIVO 

  • Uso de cultivares precoces e manipulação da época de semeadura

    Normalmente, os cultivares precoces tendem a escapar dos danos dos percevejos, mas como eles se multiplicam nesses cultivares, quando se dispersam causam danos maiores. 

Importante! A dinâmica populacional dos percevejos é afetada pela época de semeadura. Então, deve-se evitar os plantios antecipados, ou os mais tardios, onde ocorrem as maiores concentrações desses insetos. 

  • Uso de plantas armadilhas 

Os percevejos tendem a ser atraídos por leguminosas. Então, o que fazer? Eliminar os insetos sobre estas plantas, diminuindo a sua população antes que dispersem para a soja!  

  • Uso de estacas armadilhas 

O uso de estacas, mais conhecidas como iscas tóxicas, é uma outra forma de manejo dos percevejos. Para que funcionem, devem conter estopas molhadas com inseticidas mais sal e colocadas em uma altura acima do dossel das plantas. Os percevejos irão se deslocar até lá e, no momento que entrarem em contato com o inseticida da estopa, morrerão. 

Além disso, as iscas tóxicas são um importante mecanismo de monitoramento da população de percevejos, já que sinalizarão a presença dos insetos na lavoura. Como as infestações se iniciam, normalmente, nas margens da lavoura, o ideal é que as estacam estejam localizadas lá!  

  • Manejo da palhada 

O percevejo-marrom, durante o período da diapausa, chega a passar sete meses do ano sob a palhada seca na superfície do solo. É necessário monitorar as palhadas e, caso percevejos sejam identificados, eles devem ser eliminados. O produtor deve fazer aplicações nos focos de infestação e enterrar a palhada.

Descubra o papel da agricultura digital no combate as pragas? 

Leia mais da categoria:

Posts
4 min de leitura

O desafio do combate dos percevejos

Foto Cecília Czepak O aumento de percevejos fitófagos no sistema de produção, que envolve a soja como a principal cultura na região do Cerrado, tem levado os técnicos a analisar melhor todos os aspectos de manejo desta importante praga, que […]

Leia na íntegra
Posts
4 min de leitura
Gráficos no computador

A agricultura de exportação e a alta do dólar em 2020

O mercado financeiro repercute o que acontece no mundo. Diante do rápido avanço de uma doença em escala global e da instabilidade que vive a política brasileira, a flutuação do câmbio é inevitável. O dólar já vinha batendo recordes frente […]

Leia na íntegra
Posts
4 min de leitura
Homem utilizando um tablet para analisar sua lavoura

Controle Certo rumo a uma agricultura sustentável

A oferta Controle Certo tem ajudado a levar o digital para os mais diversos produtores do país. O programa oferece mão de obra especializada no monitoramento de pragas com o Cropwise Protector e um portfolio robusto de produtos Syngenta para correção de problemas, fazendo com que cada vez mais as aplicações aconteçam de forma localizada, um incentivo a uma agricultura sustentável.  […]

Leia na íntegra