El Niño 2026: riscos na safra 2026/27 por região
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El Niño na Agricultura 2026: Riscos na Safra 2026/27

4 min de leitura

O El Niño na agricultura 2026 deixou de ser um cenário hipotético. Segundo o Climate Prediction Center (CPC), há 81% de chance de um El Niño muito forte. Isso, portanto, pode ocorrer entre outubro e dezembro de 2026, justamente o […]

por Syngenta Digital
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El Niño 2026: riscos na safra 2026/27 por região
Lavoura dividida entre solo encharcado e solo seco e rachado, representando os riscos do El Niño na safra 2026/27

O El Niño na agricultura 2026 deixou de ser um cenário hipotético. Segundo o Climate Prediction Center (CPC), há 81% de chance de um El Niño muito forte. Isso, portanto, pode ocorrer entre outubro e dezembro de 2026, justamente o trimestre mais crítico para o plantio da soja no Centro-Oeste e no Matopiba. Além disso, esse período também é crucial para o início do desenvolvimento das principais culturas de sequeiro do país.

Ao anunciar a formação do fenômeno, Ken Graham, diretor do National Weather Service, da NOAA, destacou: “Cada El Niño é diferente. Cada um deixa sua própria marca no nosso clima.” Ou seja, o padrão histórico ajuda a orientar o planejamento, mas cada safra exige uma análise própria, já que o impacto depende de como o fenômeno se manifesta localmente.

Para o produtor rural, isso muda a pergunta que importa. Afinal, não é mais “o El Niño vai acontecer”, e sim “como ele vai se comportar na minha região e na minha lavoura”. Por isso, este artigo mostra que os impactos do fenômeno não são uniformes: o mesmo El Niño que preocupa o produtor de soja no Nordeste pode, por outro lado, não ter o mesmo efeito no Sul. Entender essa diferença regional, e ter ferramentas para monitorá-la em tempo real, é o que separa quem se antecipa ao risco de quem apenas reage.

O que é o El Niño e como ele é classificado

O El Niño é o aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que altera a circulação atmosférica global e, consequentemente, o regime de chuvas em boa parte do planeta, incluindo o Brasil.

Pelo critério técnico usado pelo CPTEC/INPE e pela NOAA, o fenômeno é classificado como El Niño quando a anomalia de temperatura na região do Niño 3.4 permanece igual ou superior a +0,5 °C por cinco trimestres móveis consecutivos. A partir de +2,0 °C, o evento passa a ser considerado “muito forte”, um patamar comparável aos grandes eventos históricos de 1982/83, 1997/98 e 2015/16.

Em 2026, esse patamar é uma possibilidade concreta: o NOAA/CPC projeta 81% de chance de El Niño “muito forte” entre outubro e dezembro, e modelos climáticos apontam que o aquecimento das águas do Pacífico pode superar os 3 °C, ou seja, acima até dos episódios de 1997/98 e 2015/16.

Como o fenômeno deve afetar o regime de chuvas no Brasil

No Brasil, o efeito mais direto é a alteração do regime de chuvas, com um padrão regional bem definido. Segundo o Boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado em conjunto por INMET, INPE, Funceme, ANA, Cemaden, SGB e Sedec, em uma ação interinstitucional inédita, há maior probabilidade de precipitação abaixo da média em boa parte do centro-norte do Brasil, com destaque para a maior parte do Nordeste e para pontos do oeste e sul da Região Norte.

Já na Região Sul, a tendência é oposta: as chuvas devem ficar acima da faixa normal. As temperaturas, por sua vez, devem ficar acima da média em praticamente todo o território nacional, o que favorece ondas de calor e, consequentemente, amplia o risco de queimadas justamente nas áreas com déficit hídrico.

Impactos regionais do El Niño na safra 2026/27

Os impactos do El Niño na safra 2026/27 não afetam todas as regiões, nem todas as culturas, da mesma forma. É justamente esse desenho desigual que torna a gestão localizada e o monitoramento de cada talhão tão importantes.

Centro-Oeste e Matopiba

A combinação de início tardio das chuvas com veranicos prolongados é o principal risco para a região neste ciclo. Segundo o padrão climático típico do El Niño mapeado por análises de mercado do setor, essas áreas devem enfrentar chuvas irregulares e atrasos no plantio, com risco elevado de déficit hídrico exatamente nas fases mais sensíveis da soja: o estabelecimento inicial e a floração.

Além disso, estão previstas ondas de calor acima de 32°C, em um padrão semelhante ao de 2023/24. Naquele período, atrasos no plantio em Mato Grosso reduziram a produtividade estadual em 16%. A diferença é que, desta vez, o fenômeno de 26/27 pode ser ainda mais intenso.

Culturas em alerta: soja, milho safrinha e algodão.

Nordeste e Norte

Esta é a região que concentra o maior grau de risco climático do país neste ciclo, com precipitação muito abaixo da média e temperaturas muito acima do normal. Assim, o cenário esperado é de seca severa a extrema.

A menor disponibilidade hídrica, por sua vez, afeta tanto os cultivos em desenvolvimento quanto a pecuária, devido à redução de água e forragem para pastagens. Em 2024, por exemplo, barcaças no Arco Norte chegaram a operar com apenas 10% da capacidade de carga, e há risco concreto de repetição. Ou seja, o impacto logístico pode ser tão ou mais relevante que o produtivo direto.

Culturas em alerta: milho e feijão.

Sul

Historicamente, o El Niño beneficia RS, SC e PR com chuvas acima da média na primavera e no verão, favorecendo soja e milho. No entanto, o excesso de precipitação eleva o risco de atraso no plantio, encharcamento do solo (reduzindo o desenvolvimento das raízes), perda de estande, maior pressão de doenças fúngicas, lixiviação de nutrientes (o que reduz a eficiência da adubação) e dificuldades na colheita.

Cultura em alerta: trigo.

Cana-de-açúcar no Centro-Sul

O impacto do El Niño na safra também alcança a cana-de-açúcar. Segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA, o fenômeno tende a inverter o regime hídrico no Centro-Sul, responsável por cerca de 90% da moagem nacional, trazendo chuvas em períodos normalmente secos, como o inverno, e restrição hídrica no verão, época tradicionalmente mais chuvosa.

Essa inversão, portanto, compromete a operacionalização da colheita e reduz a concentração de sacarose, prejudicando o rendimento industrial. O efeito, aliás, já é observável em campo: em teleconferência de resultados, a usina São Martinho atribuiu ao El Niño uma queda de 7% na extração de ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) em relação ao período anterior, resultado das chuvas intensas do inverno de 2026.

Café e citros

Ainda que fora do escopo central deste artigo, vale registrar: a janela crítica de floração do café, entre setembro e novembro, também está sob risco de chuvas erráticas, com floradas antecipadas e desuniformes, um padrão que, aliás, se repete em outras origens produtoras, como Colômbia, Vietnã e Indonésia.

Mapa do Brasil com riscos do El Niño 2026/27 por região: seca no Norte e Nordeste, déficit hídrico no Centro-Oeste e Matopiba e chuvas excessivas no Sul

Mapa El Niño 2026/27

Como antecipar e monitorar o risco na lavoura

Em episódios climáticos extremos, a diferença entre produtores que preservam a produtividade e os que sofrem quebras significativas está, cada vez mais, na capacidade de agir antes que o problema se instale. Isso, porém, só é possível com dados de campo em tempo real, processados em escala e traduzidos em alertas acionáveis.

O produtor que monitora por satélite a cobertura da lavoura, por exemplo, consegue identificar áreas com emergência irregular antes de fazer qualquer intervenção custosa. Da mesma forma, o agrônomo que trabalha com mapa de vigor vegetativo por talhão consegue priorizar onde aplicar recursos limitados. Já a fazenda que tem histórico climático georreferenciado sabe quais áreas são mais sensíveis a veranicos e, assim, pode optar por cultivares de ciclo diferente nessas áreas com base em evidência, e não em memória de safras anteriores.

Citação da meteorologista Desirée Brandt, da Nottus, sobre a importância da antecipação para reduzir impactos do El Niño na safra 26/27

Por que o monitoramento muda o resultado em anos de El Niño

O Cropwise reúne em uma plataforma integrada os principais recursos que o produtor e o agrônomo precisam para navegar um ano de El Niño: monitoramento por satélite com imagens atualizadas por talhão, histórico georreferenciado para decisões de cultivares e painéis de gestão que integram dados agronômicos e operacionais em um único lugar.

Índices de vegetação: leitura rápida para entender a lavoura

O monitoramento por satélite no Cropwise Explorer não se resume ao NDVI. Hoje, o produtor conta com vários índices de vegetação, e cada um mostra um aspecto diferente da planta: vigor, umidade, clorofila e risco de estresse. Usados em conjunto, eles ajudam a identificar problemas antes que apareçam a olho nu.

  • NDWI – Água no solo: mostra acúmulo de água e excesso de umidade, ajudando a identificar alagamentos e orientar decisões de replantio.
  • NDMI – Umidade das folhas: detecta sinais iniciais de estresse hídrico e apoia ajustes de irrigação ou manejo em períodos secos.
  • LCI – Clorofila e nutrição: indica teor de clorofila e status de nitrogênio, auxiliando na avaliação da adubação e na identificação de deficiências nutricionais.
  • NDVI – Vigor vegetativo: mostra o desenvolvimento geral da cultura, destacando falhas de estande e variações de crescimento ao longo do ciclo.

Todos os índices, portanto, são exibidos com mapas comparativos e faixas de cor, permitindo interpretar rapidamente as condições da lavoura e tomar decisões mais precisas.

Cropwise Explorer: monitoramento em tempo real

O Cropwise Explorer, da Syngenta Digital, é a ferramenta que coloca esse tipo de monitoramento na rotina do produtor. Com imagens de satélite em alta resolução e frequência diária, a plataforma permite:

  • acompanhar a evolução da lavoura em tempo real, talhão a talhão;
  • identificar falhas de plantio, variações de vigor e sinais de estresse hídrico antes que se tornem visíveis em campo;
  • usar o modo de contraste da plataforma para visualizar a variabilidade dentro do talhão e apoiar a definição de zonas de manejo diferenciado;
  • comparar a evolução da área ao longo do tempo e entre safras.

Em uma lavoura no Mato Grosso, por exemplo, a leitura de imagens NDVI do Cropwise Explorer foi usada para mapear a variabilidade de desenvolvimento do algodão e orientar a aplicação de desfolhante e maturador em taxa variável, por zona de manejo. Assim, a decisão baseada em dado, e não em percepção visual de campo, gerou 41% de economia em produto, sem abrir mão da eficiência da operação.

Em um ano de El Niño forte, portanto, com janelas de plantio mais apertadas em algumas regiões e excesso hídrico em outras, esse tipo de leitura antecipada é o que permite corrigir a rota a tempo.

Banner do Cropwise Explorer com relatórios de NDVI com IA, zonas de manejo e histórico de imagens

Conclusão

O El Niño 2026/27 já não é uma hipótese climática: é um fenômeno oficialmente declarado, que deve se intensificar no último trimestre do ano. Seus riscos e oportunidades, no entanto, serão desiguais no território brasileiro. Enquanto o centro-norte e o Nordeste concentram o risco de déficit hídrico e veranicos, o Sul tende a ter chuvas acima da média, e a cana-de-açúcar no Centro-Sul já sente o efeito da inversão do regime hídrico sobre a qualidade da matéria-prima.

Diante desse cenário mais volátil, portanto, uma decisão rápida baseada em dado é o que separa perda de resultado. Conhecer o comportamento da própria lavoura, talhão a talhão, deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar parte essencial da gestão de risco na safra 2026/27.

Conheça o Cropwise Explorer e veja como o monitoramento via satélite e os índices de vegetação podem apoiar suas decisões de manejo neste ciclo de El Niño.


Fontes: NOAA/Climate Prediction Center; CPTEC/INPE; Painel El Niño 2026-2027 (INMET, INPE, Funceme, ANA, Cemaden, SGB, Sedec); Consultoria Agro Itaú BBA; São Martinho (teleconferência de resultados); Syngenta Digital.

 

Redação: Wasthí Lauers – Jornalista                                                                                          

Revisão técnica e validação agronômica: Leonardo Viana – Engenheiro Agrônomo, Syngenta

 

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