Texto escrito pelo professor Sebastião Ferreira de Lima* A percepção da importância do banco de sementes de plantas daninhas nem sempre é adequada, principalmente por não ser uma característica visual no dia a dia, ou seja, nós não enxergamos o banco […]
Texto escrito pelo professor Sebastião Ferreira de Lima*
A percepção da importância do banco de sementes de plantas daninhas nem sempre é adequada, principalmente por não ser uma característica visual no dia a dia, ou seja, nós não enxergamos o banco de sementes. Mas ele é o principal responsável pela reinfestação das áreas cultivadas. O banco de sementes sempre é maior em áreas que sofreram distúrbios, como ocorre nos sistemas produtivos. Neste texto você irá conferir tudo sobre essa ameaça invisível.
Constitui a reserva de sementes vivas no solo, tanto em superfície como em profundidade. Ele é capaz de repor plantas adultas anuais ou perenes que morreram na área de origem. Lembrando que estruturas ou propágulos vegetativos como tubérculos, estolões e rizomas também fazem parte desse banco.

As metodologias disponíveis para estudar o banco de sementes de plantas daninhas são trabalhosas e nem sempre são eficientes, mas permitem uma boa avaliação, dependendo dos objetivos. Basicamente são utilizadas duas formas de avaliar:

Normalmente o banco de sementes de plantas daninhas em áreas agrícolas é maior quando comparadas a áreas de baixo distúrbio. Cerca de 95% do banco de sementes é formado por sementes de plantas anuais. Observe que plantas como o caruru (Amaranthus spp.) pode produzir até 120 mil sementes por planta, potencializando o banco de sementes.
A quantidade de sementes na camada arável do solo, em diferentes ambientes e localidade, pode variar de 2.000 até 70.000 sementes por metro quadrado. Normalmente o banco de sementes são formados por muitas espécies de plantas daninhas, no entanto, 70 a 90% dessas sementes são das espécies dominantes na área.
A germinação das sementes de plantas daninhas depende de fatores ambientais e de fatores ligados a própria semente, como a dormência desta.
Dos fatores ambientais, os mais importantes são a umidade do solo e a temperatura ambiente.
A dormência constitui um mecanismo ou inibidor que impede a semente de germinar, mesmo quando as condições ambientais estão favoráveis. Assim, a dormência distribui a geminação ao longo do tempo, garantindo a regeneração do banco de sementes.
O tamanho e a composição botânica do banco de sementes dependem do balanço entre entrada e saída de sementes do sistema. A saída ocorre por perdas por germinação, deterioração, parasitismo, predação e transporte. A entrada ou “chuva e sementes” pode ocorrer diretamente pelo lançamento de sementes que atingiram a fase reprodutiva ou de forma passiva pelo transporte por máquinas, animas, chuva, ventos, entre outros.

Nesse caso vamos considerar os dois sistemas de cultivo mais utilizados na produção agrícola:
As práticas de preparo do solo podem reduzir o tamanho do banco de sementes pelo estímulo a germinação dessas sementes e posterior controle, ou pela perda da viabilidade das sementes.
A aração do solo, por exemplo, pode distribuir as sementes ao longo do perfil e enterrar muitas sementes em grandes profundidades, que acabam inviabilizando sua germinação.
Lembrando que poucas sementes de plantas daninhas conseguem germinar quando estão abaixo de 5 cm de profundidade. Quando a aração inverte a camada de solo, as sementes ficam mais na superfície e isso favorece sua germinação, mas podem ser controladas facilmente em sequência.

A semeadura direta faz com que a maior parte das sementes se concentrem próximo da superfície do solo. Mais de 60% dessas sementes são encontradas a 1 cm da superfície do solo.
Essas sementes podem ser induzidas a germinação ou perderem a viabilidade. Além disso, podem sofrer a predação e ficam expostas as variações de temperatura e umidade, que auxiliam na quebra de dormência.
A rotação de culturas que é utilizada nesse sistema, ajuda a reduzir o banco de sementes, porque evita a predominância de determinadas invasoras.

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