As plantas que crescem espontaneamente na lavoura e concorrem por água, luz e nutrientes com a planta cultivada devem ter sua população controlada. Têm sido denominadas invasoras, daninhas, etc. Em nosso artigo, escolhemos o termo concorrentes para designá-las. Para a […]
As plantas que crescem espontaneamente na lavoura e concorrem por água, luz e nutrientes com a planta cultivada devem ter sua população controlada. Têm sido denominadas invasoras, daninhas, etc. Em nosso artigo, escolhemos o termo concorrentes para designá-las.
Para a soja, existem variedades de soja transgênica resistentes ao herbicida glifosato (RR) e novos materiais já apresentam tolerância à outros herbicidas, para que ocorra a diversificação de princípios ativos no controle das plantas concorrentes e não haja desenvolvimento de resistência aos compostos químicos, como aconteceu com a buva e o capim amargoso.
O projeto, coordenado pela Embrapa junto com a multinacional BASF, criou a primeira soja transgênica do país capaz de controlar a buva e o amargoso, as concorrentes mais problemáticas para a cultura. A Cultivance apresenta resistência aos herbicidas do grupo das imidazolinonas.
Contudo, quando não se utilizam as cultivares resistentes aos herbicidas, são necessários conhecimentos da biologia das plantas daninhas, visando garantir o seu controle. No presente artigo abordaremos a biologia das plantas concorrentes e no próximo o manejo integrado para controla-las.
Biologia das plantas concorrentes
O controle das plantas concorrentes origina da antiguidade, quando, em conjunto com nossas plantas cultivadas, apareciam em estado silvestre. A domesticação e o melhoramento das plantas cultivadas resultaram em perda de agressividade para competir com as plantas concorrentes.
A grande habilidade das plantas concorrentes em relação às cultivadas advém, principalmente, de sua alta agressividade competitiva e de sua grande produção, dispersão e longevidade de sementes.
A sua competitividade por água, luz e nutrientes resulta em conteúdo médio de nutrientes cerca de duas a três vezes mais para N, P e K, oito vezes mais para Ca e quatro vezes mais para Mg, quando comparadas às plantas cultivadas.
Enquanto as plantas cultivadas ficam na casa de dezenas a centenas de sementes por planta, um único exemplar concorrente chega a produzir de dezenas a centenas de milhares de sementes.
Suas sementes possuem, ainda, estruturas adaptativas que lhes permitem serem disseminadas pelo vento (dente-de-leão – Taraxacum officinale e serralha – Sonchus oleraceus), pela água (lingua-de-vaca – Rumex crispus), por aderência aos pelos de animais ou à roupa do trabalhador (capim carrapicho – Cenchrus echinatus, picão preto Bidens pilosa), etc. A maior parte das sementes destas plantas não germina logo após a sua maturação, vindo a fazê-la muito tempo mais tarde, dado ao mecanismo de dormência temporária.
Todas estas adaptações são coerentes com a teoria da origem das espécies, pela qual a vantagem adaptativa ao meio é o critério de sobrevivência.
Por Marihus Altoé Baldotto – Professor da Universidade Federal de Viçosa
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