Macaúba: o que é e para que serve? - Syngenta Digital
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Macaúba: o que é e para que serve?

4 min de leitura

Texto escrito em parceria entre Maria Antonia Machado Barbosa, Engenheira Agrônoma, Doutoranda em Fitotecnia pela UFV e mestre em Fisiologia Vegetal pela mesma Universidade. Atualmente conduz pesquisas sobre a fisiologia e o manejo cultural da macaúba. E também por Leonardo […]

por Ana Carolina Abreu
15 de outubro de 2021
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Fruto de macaúba
Texto escrito em parceria entre Maria Antonia Machado Barbosa, Engenheira Agrônoma, Doutoranda em Fitotecnia pela UFV e mestre em Fisiologia Vegetal pela mesma Universidade. Atualmente conduz pesquisas sobre a fisiologia e o manejo cultural da macaúba. E também por Leonardo Duarte Pimentel, Engenheiro Agrônomo, Doutor em Fitotecnia pela UFV e Professor efetivo no Departamento de Agronomia da UFV. Atualmente conduz pesquisas visando o desenvolvimento da cadeia produtiva da macaúba.

As mudanças climáticas registradas nos últimos anos tem refletido sobre a agricultura. Associado à isso, o setor agrícola tem sido pressionado devido ao aumento na demanda por alimentos e por fonte de energias renováveis, sobretudo, culturas oleíferas que possam atender os setores energético e alimentício, e com melhor adaptação à condições ambientais desfavoráveis.

O Brasil desponta como um dos países de maior potencial para liderar a agricultura energética no mundo, devido a sua flora diversificada. Entre as espécies de palmeiras nativas, destaca-se a macaúba (Acrocomia aculeata), conhecida também como dendê mineiro. Essa denominação ocorre pela semelhança na qualidade e quantidade de óleo produzido por essa palmeira com a palma africana ou dendezeiro (Elaeis guineensis) – principal fonte de óleo vegetal do mundo.

Índice

Planta de macaúba
Plantas adultas de macaúba

Diferentemente da macaúba, a palma é uma cultura que exige altas precipitações e o seu cultivo se torna restrito a zonas equatoriais. Já a macaúba, apresenta boa adaptabilidade à condições mais extremas, como baixa precipitação e solos de baixa a média fertilidade – características importantes para enquadrar o seu cultivo em áreas marginais e não competir com a agricultura de alimentos.

Seu principal produto são os frutos com elevado teor de óleo e de amplo espectro de uso, como: biodiesel, setor alimentício, fármacos, cosméticos, lubrificantes entre outros. Além disso, a macaúba tem importância sócio-ambiental, com potencial para compor Sistema Agrossilvipastoril e recuperação de áreas degradadas.

Até pouco tempo, a macaúba era explorada exclusivamente no sistema extrativista, sendo utilizada principalmente para produção de sabão. Entretanto, sua domesticação tem andado à passos largos e impulsionada por instituições públicas e privadas, através de pesquisas e instalação de cultivos comerciais.

Onde encontramos a macaúba?

A macaúba é distribuída desde a América Central até o sul da América do Sul, com ocorrência nas savanas (cerrados) e florestas abertas da América Tropical. No Brasil, é considerada uma das palmeiras de maior dispersão, sendo encontrada em praticamente todas as regiões do país. Os estados que apresentam maiores concentração são: Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Piauí, Tocantins e Ceará. É denominada como uma palmeira rústica de grande adaptabilidade a diferentes condições de clima e solo, sendo que as populações naturais ocorrem principalmente em áreas de vegetação aberta com alta incidência de luz solar e solo de textura média.

A macaúba possui várias denominações populares, que variam de acordo com a região de distribuição da espécie, como: mbocayá (Argentina); totaí (Bolívia), corozo (Colômbia, Venezuela); tamaco (Colômbia); coyol (Costa Rica, Honduras, México); bocaiúva, chiclete-de-baiano, coco-baboso, coco-de-catarro, coco-de-espinho, macacaúba, macaíba, macaibeira, macajuba, macaúba, macaúva, mucaia, mucajá e mucajaba (Brasil).

Como identificar a macaúba?

A palmeira

A macaúba é uma palmeira arbórea que pode atingir até 20 m de altura. Apresenta estipe único recoberto por espinho e uma copa com aspecto plumoso. Uma palmeira adulta apresenta em média de 20 a 25 folhas, com comprimento que varia de 2,5 a 3,0 m, apresentando espinhos ao longo da ráquis. Suas inflorescências que contém flores femininas e masculinas, são emitidas entre as folhas como longas espatas, que quando maduras, abrem-se expondo a ráquis floral, especialmente durante a estação chuvosa. Geralmente são emitidos em média quatro cachos por planta com dimensão de 80 a 130 cm.

Morfologia geral da macaúba
Aspectos morfológicos gerais da macaúba.

O fruto

Os frutos são globosos com tamanho variando entre 2,0 e 3,5 cm. Possui casca (epicarpo) de cor verde nos estádios iniciais de desenvolvimento passando a coloração amarela ou castanha quando maduro. A polpa (mesocarpo) é fibrosa e mucilaginosa de coloração amarela, que recobre o endocarpo de cor preta, lenhoso, rígido, que protege a amêndoa oleaginosa de cor branca, recoberta por membrana escura e pouco espessa.

Macaúba
Casca de macaúba
Características dos frutos de macaúba. Detalhe nas partes constituintes do fruto.

Variedade morfológica

Por se tratar de uma espécie com ampla distribuição geográfica em regiões com diferentes características edafoclimáticas, a macaúba apresenta grande variabilidade morfológica. No Brasil, há consenso de que há pelo menos três populações distintas de macaúba: Acrocomia intumescens (são de maior porte e com dilatação no seu estipe), Acrocomia totai (apresentam menos espinhos) e Acrocomia sclerocarpa (possui mais espinhos, frutos maiores e maior teor de óleo). Esta última ocorre principalmente no estado de Minas Gerais.

Árvore de macaúba
Variabilidade morfológica de três populações distintas de macaúba

Quais os potenciais usos da macaúba?

A macaúba constitui-se como uma promissora fonte de óleo vegetal para a indústria de combustíveis, cosmética e alimentícia. Com alta produtividade de óleo, pode produzir até 5.000 kg de óleo/hectare, valores próximos à produção da palma.

Dois tipos de óleos podem ser obtidos a partir da polpa (mesocarpo) e da amêndoa dos frutos da macaúba. Além do óleo, o processamento dos frutos gera coprodutos de grande valor agregado. Os resíduos da polpa e da amêndoa podem ser utilizados na produção de farinha e torta que podem ser utilizados na alimentação humana e animal. A casca pode ser utilizada como fonte de energia para a queima, e o endocarpo pode ser empregado na fabricação de carvão.

Diferentes tipos de uso da macaúba
Potenciais usos para os óleos e resíduos obtidos a partir da polpa e amêndoa dos frutos da macaúba

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