* Por Murilo Faix Gonçalves, engenheiro agrônomo e Especialista em Transformação Digital da Syngenta Digital O percevejo é a praga mais importante da soja, pois se alimenta diretamente dos grãos ou sementes, o que compromete sua qualidade e produtividade. O prejuízo causado pelos danos […]
* Por Murilo Faix Gonçalves, engenheiro agrônomo e Especialista em Transformação Digital da Syngenta Digital
O percevejo é a praga mais importante da soja, pois se alimenta diretamente dos grãos ou sementes, o que compromete sua qualidade e produtividade. O prejuízo causado pelos danos dos percevejos pode ser superior a 30% da produção.
Existe um complexo de espécies desse inseto, mas é o percevejo-marrom (Euschistus heros) o que mais tira o sono dos sojicultores brasileiros. Os adultos medem cerca de 13 mm de comprimento, possuem expansões do tórax em forma de espinhos pontiagudos e são de cor marrom-escura, com uma mancha branca. Os ovos são de cor amarela e em número de 6 a 15. As ninfas, inicialmente, são de cor amarelada ou marrom-claro, tornando-se esverdeadas ou acinzentadas.

Durante o desenvolvimento, os percevejos passam pelas fases de ovo, ninfa – composta de cinco estádios (ínstares) – e adulta. Possuem ciclo de vida de 50 a 120 dias e podem ter de três a seis gerações por ano, dependendo da região. A maior importância destes percevejos no ciclo da soja se dá no início do período reprodutivo, quando há presença de vagens e enchimento de grãos, porém, a colonização da lavoura tem início desde o período vegetativo da cultura (Vn) e durante a floração (R1 e R2), em que os percevejos migram de hospedeiros para as lavouras de soja. É fundamental, portanto, o monitoramento desta praga para todas as fases e desde os estádios vegetativos da cultura.
Controle do percevejo-marrom
A partir da formação de vagens, o ponto de “canivete”, é que o percevejo-marrom inicia seu ataque na soja. O final do período de desenvolvimento das vagens (R4) e o início do enchimento de grãos (R5) são considerados os períodos críticos, quando a soja é mais suscetível ao ataque, até o final do enchimento de grãos, no qual a população decresce com a maturação e colheita das lavouras.
Atualmente, o controle químico é o método mais eficaz para o controle de percevejos em soja. Para garantir uma aplicação mais eficiente, devemos posicionar produtos que garantam um residual adequado, proporcionando controle por um maior período. Já o ponto de entrada de aplicação deve ser determinado através do Manejo Integrado de Pragas (MIP).
De forma geral, o MIP é uma abordagem utilizada para o manejo de diferentes culturas visando a manter a sustentabilidade das lavouras, aplicando no momento e local correto, com o produto e a dose mais adequados. Um dos métodos de monitoramento mais eficaz continua sendo o pano de batida, sendo considerado nível de controle a presença de dois percevejos por amostragem para lavoura de soja grão e um percevejo para lavoura de soja semente.
Monitoramento digital da praga
A agricultura digital vem contribuindo com ferramentas que auxiliam tanto os técnicos, que monitoram as pragas nas lavouras, quanto os tomadores de decisão, que recebem essas informações de forma rápida e, com governança e assertividade, posicionam os melhores produtos. Funcionalidades como Gráficos de Evolução e Mapas de Calor proporcionam o entendimento do comportamento das pragas em todo o ciclo, possibilitando aplicações localizadas.

A integração do MIP com ferramentas de agricultura digital possibilita o posicionamento dos melhores produtos com maiores efeitos residuais, impulsionando as produtividades das culturas brasileiras, e criam um ambiente de produção cada vez mais sustentável.
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