Nematoides das lesões radiculares (Pratylenchus) - Guia completo - Syngenta Digital
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Conhecendo os nematoides: Nematoides das lesões radiculares (Pratylenchus spp.)

4 min de leitura

Texto escrito em parceria com Me. Daniel Dalvan do Nascimento e Me. Ana Paula Mendes Lopes, Engenheiros Agrônomos e Nematologistas. Doutorandos em Entomologia Agrícola e Proteção de Plantas pela Unesp, respectivamente. Sócios administradores da página @nematologiaemfoco. As espécies de Pratylenchus […]

por Ana Carolina Abreu
28 de janeiro de 2022
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nematoides lesão

Texto escrito em parceria com Me. Daniel Dalvan do Nascimento e Me. Ana Paula Mendes Lopes, Engenheiros Agrônomos e Nematologistas. Doutorandos em Entomologia Agrícola e Proteção de Plantas pela Unesp, respectivamente. Sócios administradores da página @nematologiaemfoco.

As espécies de Pratylenchus são conhecidas pela capacidade de formar lesões enegrecidas nas raízes das plantas hospedeiras (Figura 1), característica a qual lhe rendeu o nome: Nematoides das lesões radiculares.

Pratylenchus está entre as espécies de maior importância para agricultura. O gênero ocupa o terceiro lugar em termos de distribuição mundial e impacto econômico ficando atras apenas de nematoides de galha e de cisto, podendo causar danos de até 80%.

Além dos danos, sua importância é principalmente devida a grande diversidade de hospedeiros, mas também a alta capacidade adaptativa, que vai de ambientes frios à tropicais.

As espécies de Pratylenchus Filipjev, 1936 são conhecidas no Brasil pelos danos causados a culturas como soja, milho, algodão, cana de açúcar, feijão, pastagens, cereais, sorgo, amendoim, fumo, guandu, arroz, abacaxi, café, banana, seringueira, eucalipto, batata, dentre outras.

Imagem ampliada da raiz necrosada de uma cana de açúcar
Figura 1. Sintomas de necroses (lesões) em raízes de cana-de-açúcar, causadas pelo nematoides das lesões radiculares, Pratylenchus brachyurus.

Índice

Principais espécies de Pratylenchus

Mais de 70 espécies de Pratylenchus já foram catalogadas ao longo do mundo.

Apesar da diversidade de espécies ser grande, somente algumas são consideras de real importância para as culturas extensivas, especialmente as cultivadas no Brasil.

De modo geral, embora o gênero Pratylenchus seja considerado polífago, a maioria das espécies são muito restritivas no que se refere a hospedeiros.

As espécies menos seletivas são também as que normalmente são mais conhecidas, como é o caso de Pratylenchus brachyurus (Figura 2A), que é de grande importância para soja, milho, algodão e cana de açúcar no Brasil; Pratylenchus zeae (Figura 2B) de grande importância, porém, restrita as plantas do grupo das gramíneas, como cana-de-açúcar, arroz e pastagens; e Pratylenchus penetrans, mais comumente associado a arvores frutíferas e hortaliças, mas que tem sido relatado em outros hospedeiros, incluindo soja.

Além dessas, Pratylenchus vulnus, encontrado em olerícolas, ornamentais e frutíferas, P. coffeae em bananeira, cafeeiro e inhame e P. jaehni em citros, são as espécies de Pratylenchus de maior importância no Brasil.

Visão microscópica de uma lesão de nematoides, sendo elas pratylenchus brachyurus e pratylenchus zeae
Figura 2: Fêmeas de Pratylenchus brachyurus e Pratylenchus zeae, encontrados em raízes de soja e cana de açúcar, respectivamente.

Como Pratylenchus infecta a planta

As espécies de Pratylenchus são endoparasitos migratórios que entram na raiz do hospedeiro para se alimentar e reproduzir, movendo-se livremente dentro do tecido.

Consequentemente, eles passam grande parte de seu ciclo de vida nas raízes, podendo ser encontrados no solo quando as plantas hospedeiras estão estressadas ou já próximas de morrer.

Diferentemente dos nematoides de galha e de cisto, Pratylenchus não se torna sedentário nas raízes, e a alimentação é restrita quase inteiramente ao córtex radicular.

Interação de Pratylenchus e outras doenças

A movimentação ao longo da raiz acaba refletindo em portas de entradas para outros patógenos de solo, como é o caso de Fusarium, Verticillium e Rhizoctonia.

A associação com esses fungos resulta em danos ainda mais severos às raízes das plantas hospedeiras. Os danos ao sistema radicular prejudicam a absorção de água e nutrientes pela planta, causando estresses nos períodos mais quentes do dia, além de clorose, redução do crescimento, abortamento de estruturas reprodutivas e menor produtividade.

Assim como em outros nematoides de plantas, os sintomas se manifestam em reboleiras, com plantas de tamanho irregular e as vezes amarelecidas (Figura 3).

Cultivo de plantas de soja que foram impregnadas com a praga nematoide
Figura 3. Reboleira de plantas de soja apresentando nanismo e clorose causada por nematoide das lesões radiculares, Pratylenchus brachyurus.

Ciclo de vida de Pratylenchus

Assim como os outros fitonematoides, Pratylenchus tem seis estádios de vida, iniciando em ovo, quatro estádios juvenis e o adulto.

O ciclo de vida dos nematoides desse gênero giram em torno de 3 a 8 semanas, mas isso pode variar, a depender da espécie, hospedeiro e condições ambientais, como umidade e temperatura. Após o desenvolvimento embrionário dentro do ovo para o juvenil de primeiro estádio (J1), o nematoide muda para juvenil de segundo estádio (J2), que eclode do ovo. Todos os estádios de vida juvenis e adultos de Pratylenchus são vermiformes e móveis e todos os estádios de vida (exceto ovo e J1) podem infectar a raiz de uma planta hospedeira.

Os machos adultos são comuns em algumas espécies e raros em outras, sendo essa uma das ferramentas que auxiliam na diagnose da espécie. Nas espécies de Pratylenchus brachyurus e P. zeae, espécies de maior frequência no Brasil a presença de machos é rara, diferentemente das demais.

Como manejar o nematoide das lesões radiculares

O manejo do nematoides das lesões é complexo e exige a adoção de diferentes métodos, uma vez que não há disponível cultivares de soja, milho e algodão com resistência a este nematoide, devido principalmente a seu hábito migrador de parasitismo. Além disso, é altamente suscetível a uma ampla gama de plantas dificultando ainda mais o manejo.

Manejo cultural de Pratylenchus

O uso de rotação/sucessão de culturas com plantas de cobertura como a Crotalaria spectabilis, C. ochroleuca e C. breviflora é bastante promissor, uma vez que os nematoides não conseguem se desenvolver nas raízes dessas plantas e morrem sem se reproduzir. Vale ressaltar que quanto mais tempo essas plantas permanecerem no campo, mais eficiente será o seu efeito sobre as populações do nematoide.

Porém, deve-se tomar cuidado quanto ao período de plantio, uma vez que essas plantas são sensíveis ao fotoperíodo e podem ter seu crescimento afetado dando espaço para o crescimento de plantas daninhas e/ou soja milho tiguera, que multiplicam o nematoide.

Manejo genético de Pratylenchus

O uso do manejo genético para o controle do nematoide das lesões é limitado, já que no mercado é inexistente cultivares com resistência (FR < 1) ao nematoide. Existem aquelas que são consideradas tolerantes e ainda as que possuem fator de reprodução relativamente baixo. Porém, o uso dessas cultivares em áreas com alta pressão do nematoide pode proporcionar incremento da população, exigindo assim monitoramento constante da área.

Manejo biológico e químico de Pratylenchus

O tratamento de sementes feito em TS ou em sulco de semeadura com produtos químicos ou biológicos é bastante utilizado e tem se mostrado eficiente, principalmente quando aplicado em áreas sucedidas com culturas não hospedeiras ou com baixo fator de reprodução.

O tratamento químico protege as raízes em suas fases iniciais de desenvolvimento, impedindo que o nematoide penetre e complete o seu desenvolvimento. Entretanto, o produtor que faz uso desta tecnologia deve ficar ciente que a proteção gira em torno de 30-50 dias em culturas anuais, após este período os nematoides podem penetrar, se reproduzir e causar prejuízos.

Os produtos biológicos por sua vez, vem apresentando bons resultados no campo, uma vez que possuem o residual maior, que pode se estender e proteger as raízes durante todo o ciclo da cultura. Porém, são bastante dependentes de condições edafoclimáticas e ainda da quantidade de matéria orgânica disponível no solo.

De maneira geral, os produtos a base de Bacillus spp. são os mais eficientes, se tratando de nematoide de lesões radiculares, devido a formação de biofilme protetor ao redor das raízes.

Praga do tipo Pratylenchus brachyurus em plantas de soja em comparação com a mesma planta sem praga
Figura 4. Plantas de soja inoculadas com Pratylenchus brachyurus. A direita, sementes tratadas em TS com produtos biológicos apresentando sistema radicular bem desenvolvido. A esquerda testemunha não tratada.

Além disso, bactérias desse gênero possuem a capacidade de promover crescimento vegetal, característica que reflete em plantas com o sistema radicular mais desenvolvido e parte aérea mais vigorosa, consequentemente, maior produtividade (Figura 4).

Considerações finais

Para se ter sucesso no controle de Pratylenchus spp. deve-se seguir os preceitos do manejo integrado de nematoides, ou seja, adotar duas ou mais ferramentas de maneira integrada e planejada. Para isso, o primeiro passo a ser dado é o monitoramento constante, por meio de análises de solo e raízes. Conhecendo as espécies e os níveis populacionais de cada talhão será possível traçar medidas mais assertivas de manejo. Veja como fazer amostragem de nematoides pelo link. O uso integrado das técnicas de manejo garante reduções significativas da população do nematoide e, consequentemente, menores danos às culturas.

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