Guia dos produtos e utilidades comerciais da macaúba - Syngenta Digital
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Descubra todas as utilidades comerciais da Macaúba

4 min de leitura

Texto escrito em parceria entre Maria Antonia Machado Barbosa, Engenheira Agrônoma, Doutoranda em Fitotecnia pela UFV e mestre em Fisiologia Vegetal pela mesma Universidade. Atualmente conduz pesquisas sobre a fisiologia e o manejo cultural da macaúba. E também por Leonardo […]

por Ana Carolina Abreu
22 de novembro de 2021
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produtos obtidos a partir da macaúba.
Texto escrito em parceria entre Maria Antonia Machado Barbosa, Engenheira Agrônoma, Doutoranda em Fitotecnia pela UFV e mestre em Fisiologia Vegetal pela mesma Universidade. Atualmente conduz pesquisas sobre a fisiologia e o manejo cultural da macaúba. E também por Leonardo Duarte Pimentel, Engenheiro Agrônomo, Doutor em Fitotecnia pela UFV e Professor efetivo no Departamento de Agronomia da UFV. Atualmente conduz pesquisas visando o desenvolvimento da cadeia produtiva da macaúba.

O aumento na demanda global por óleos vegetais nas últimas décadas tem sido impulsionada pelo crescimento do consumo alimentício e interesse no uso de biodiesel para aliviar a emissão de gases poluentes na atmosfera. 

Entretanto, as grandes fontes de óleos vegetais utilizadas para produção de biocombustíveis são oleaginosas comestíveis, como a soja, que é responsável por cerca de 71% da produção de biodiesel no Brasil. 

Nesse contexto, o fruto da macaúba vem recebendo especial atenção, por se tratar de uma oleaginosa rica em óleos de interesse comercial e que poderá contribuir para atender a demanda do mercado, sem competir por áreas com a produção de alimentos. 

Índice

Quanto de óleo a macaúba produz?

O grande destaque da macaubeira como fonte de óleo está associado em especial a sua capacidade de produzir grandes volumes de óleo, como ocorre com a palma africana (dendezeiro). Na polpa, a concentração de óleo pode chegar a 70%, enquanto que na amêndoa, essa concentração é próximo a 50%.  

A macaúba tem potencial para produzir em média de 70 a 80 kg de frutos por planta e produtividades estimadas de 20 a 24 toneladas de frutos por hectare.

Com esses números, é possível produzir em média 6.200 kg de óleo/ha/ano – valor similar à produção de óleo de palma (6.000 kg de óleo/ha/ano) e superior à da soja (650 kg de óleo/ha/ano). Assim, a nível de comparação, a macaúba pode produzir quase seis vezes mais óleo que a soja.

Potencial de produção das principais oleaginosas. A macaúba tem produtividade semelhante a palma africana (dendê).
Potencial de produção das principais oleaginosas. A macaúba tem produtividade semelhante a palma africana (dendê). 

Qual o diferencial dos óleos da macaúba?

O fruto da macaubeira é rico em óleos que se concentram no mesocarpo (polpa) e no endosperma (amêndoa). O óleo obtido da polpa apresenta coloração alaranjada, enquanto que o da amêndoa tem coloração mais clara

Tipos de óleos da macaúba, um de cor alaranjada e outro mais claro, amarelada
Detalhe da quantidade de óleo presente no fruto de macaúba e as características dos óleos da polpa e da amêndoa.

Com diferentes perfis de ácidos graxos, esses óleos são considerados potenciais fontes para a geração de energia ou para fabricação de produtos alimentícios, farmacêuticos e cosméticos

O óleo extraído da polpa apresenta em maior quantidade o ácido oleico (monoinsaturado) semelhante ao azeite de oliva, enquanto que o óleo da amêndoa é rico em maior proporção de ácido láurico, semelhante ao óleo de palmiste que é extraído da amêndoa do dendezeiro e ao óleo de coco.  

Além do ácido oleico e láurico, que são os principais óleos da polpa e da amêndoa, respectivamente, outros óleos também podem ser extraídos do fruto de macaúba como: ácido palmítico, láurico, linoleico, mirístico, caprílico, palmitoléico, cáprico, esteárico e linolênico.

Entretanto, o teor e a composição dos óleos podem variar conforme o tipo de material genético (população). 

Composição de ácidos graxos da polpa e amêndoa do fruto de macaúba.
Composição de ácidos graxos da polpa e amêndoa do fruto de macaúba.

Qual utilidade do óleo da polpa da macaúba?

O óleo extraído da polpa da macaúba é composto aproximadamente de 80% de ácidos graxos insaturados e 20% de ácidos graxos saturados

Esse tipo de óleo tem ótima qualidade para uso como biodiesel, pois é predominantemente composto por ácido oleico (61%), que confere ao biodiesel um aumento na estabilidade e melhor operabilidade em baixas temperaturas

Isso significa que o biodiesel produzido a partir do óleo da macaúba tem maior resistência à oxidação e menor impacto sobre o sistema de injeção de combustível do motor. Essa característica ainda pode ser associada à outras vantagens da macaúba, como a alta produtividade de óleo, alta combustão e por ser pouco poluente

Biodiesel produzido com óleo da polpa da macaúba. 

Por ser um óleo rico em ácido oléico, são ótimos para consumo humano – semelhante ao azeite de oliva – por reduzir lipoproteínas de baixa densidade (LDL), conhecido como “mau” colesterol, e elevam os níveis de lipoproteínas de alta densidade (HDL), “bom” colesterol. 

Além disso, o óleo da polpa da macaúba tem coloração alaranjada devido à altas concentrações de carotenóides – pigmento natural com inúmeros benefícios à saúde humana como, atividade vitamínica e antioxidante.  

Óleo extraído da polpa da macaúba – características semelhantes ao azeite de oliva.
Óleo extraído da polpa da macaúba – características semelhantes ao azeite de oliva.

E o óleo da amêndoa da macaúba?

O óleo extraído da amêndoa tem coloração clara e é de grande valor no produção de alimentos e cosméticos devido ao seu alto teor de ácidos graxos saturados de cadeia carbônica curta, principalmente o ácido láurico (cerca de 58%) que é característico do óleo de palmiste (óleo da amêndoa da palma africana) e semelhante ao óleo de coco. 

Óleo extra virgem obtido da amêndoa da macaúba para alimentação humana.
Óleo extra virgem obtido da amêndoa da macaúba para alimentação humana. 

Essa composição torna o óleo da amêndoa algo com alto valor agregado, devido sua possibilidade de uso como matéria prima para a fabricação de margarinacosméticos e produtos farmacêuticos

Além disso, o óleo extraído da amêndoa da macaúba, por ser rico em ácido láurico, tem sido projetado ultimamente para a produção de bioquerosene, visando o setor de aviação.

O óleo da amêndoa da macaúba como matéria prima para fabricação de cosméticos
Óleo da amêndoa da macaúba como matéria prima para fabricação de cosméticos

No setor alimentício, o óleo de amêndoa de macaúba pode ser empregado na fabricação de produtos de base lipídica, tais como margarina e maionese.

As principais vantagens no uso desse óleo estão relacionadas ao perfil de ácidos graxos com considerável teor de ácido oleico e à presença de compostos bioativos, tais como carotenoides e tocoferóis.

Outro ponto relevante está relacionado aos efeitos benéficos à saúde devido a composição particular desse tipo de óleo. Estudos recentes demonstram efeito hipoglicêmico contra o diabetes do tipo 2.  

Maionese produzida a partir do óleo de amêndoa da macaúba.
Maionese produzida a partir do óleo de amêndoa da macaúba. 

Co-produtos obtidos da extração do óleo

Vale destacar que, não somente os óleos extraídos do fruto tem potencial de mercado. 

Ainda no mercado de bioenergia, os frutos dessa palmeira nativa do Brasil também pode dar origem ao carvão vegetal e carvão ativado

O farelo gerado durante o extração de óleo de polpa (mesocarpo + epicarpo), por exemplo, pode ser usado como para co-geração de energia para indústria, por possuir alto poder calorífico (4706 kcal/kg). 

Em adição, o endocarpo pode ser usado na fabricação de carvão vegetal de alta qualidade, e o farelo da amêndoa pode ser usada na formulação de ração animal, por ser rica em proteínas (38%). 

Co-produtos obtidos da extração de óleos da polpa e da amêndoa do frutos de macaúba
Co-produtos obtidos da extração de óleos da polpa e da amêndoa do frutos de macaúba

Assim, as inúmeras características presentes nos óleos extraídos do fruto da macaúba, tornam essa palmeira oleaginosa uma interessante fonte de óleo vegetal para contribuir com a demanda do mercado, tanto no setor alimentício, fármaco-cosméticos, e principalmente, no setor de bioenergia.

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