Nematoides: o que são e como controlar - Syngenta Digital
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Nematoides: o que são e como controlar de forma eficaz

12 min de leitura

Os nematoides podem causar sérios problemas à lavoura, trazendo diversos prejuízos aos agricultores. Saiba como evitá-los.

por Syngenta Digital
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Lavoura de soja com destaque para raízes danificadas por nematoides

O que existe no solo que o produtor não vê, mas que pode custar uma safra inteira?

Pequenos demais para serem vistos, grandes o suficiente para comprometer a produtividade de uma região inteira. Escondidos no solo, os nematoides avançam silenciosamente pelas raízes, drenando energia, bloqueando o desenvolvimento das plantas e abrindo caminho para outras doenças.

O produtor só percebe quando as reboleiras surgem, quando o vigor cai, quando a produtividade já não responde como deveria. E o impacto desse inimigo invisível não é pequeno: estimativas da Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN) apontam que esses organismos estão por trás de bilhões de reais em perdas todos os anos, afetando diretamente a competitividade da agricultura brasileira.

Apesar de discretos, eles estão longe de ser raros. Estudos recentes mostram que os nematoides aparecem em mais de 90% das amostras de solo analisadas no Brasil, reduzindo a produtividade das lavouras em até 25%. E, se o manejo continuar no ritmo atual, o país pode acumular mais de R$ 870 bilhões em prejuízos até 2032. Na soja, o impacto é ainda mais evidente: as perdas anuais podem chegar a R$ 27,7 bilhões, o equivalente a dizer que, a cada dez safras, uma é completamente perdida para os nematoides.

E o alerta fica ainda mais claro quando olhamos para projeções mais amplas. Um estudo da Syngenta, Agroconsult e SBN mostrou que, considerando toda a cadeia de produção de alimentos, as perdas associadas aos nematoides podem chegar a US$ 150 bilhões por ano, cerca de R$ 750 bilhões. É um número que escancara a dimensão do problema e reforça a urgência de adotar estratégias mais eficientes de diagnóstico e manejo.

O que são nematoides?

Os nematoides ou nematódeos são um grupo de vermes que especialistas classificam como praga para as plantas, mas também são parasitas de animais, com tamanho entre 0,3 e 3 milímetros.

Em resumo, as larvas penetram nos tecidos da raiz das plantas e formam “bolinhas”, podendo chegar até as folhas, flores e frutos. Assim, a planta não absorve a quantidade necessária de água e nutrientes e não se desenvolve.

Além de retirar substâncias nutritivas das plantas, os nematoides provocam a injeção de substâncias tóxicas no interior da célula vegetal. Estes são apenas dois de vários prejuízos causados por esses vermes que possuem o corpo pequeno de formato cilíndrico e transparente. 

Presentes no solo e na água, um grande número destes organismos parasitam em plantas, chamados fitonematoides. Eles podem atuar tanto nos órgãos subterrâneos, como raízes e bulbos, quanto nos aéreos, como folhas e caule. 

Características dos nematoides em plantas

Além das galhas que aparecem nas plantas, outros sinais importantes de ataque incluem:
  • Galhas (tumores nas raízes);
  • Rachaduras marrons ou avermelhadas nas raízes;
  • Folhas amareladas, murchas e com menor vigor;
  • Redução na absorção de nutrientes e menor produtividade.

Ciclo de vida dos nematoides

O ciclo de vida dos nematoides inclui o ovo, quatro estádios juvenis (J1 a J4) e a forma adulta (macho ou fêmea). No período de crescimento (estádios juvenis até adulto), ele passa por quatro ecdises, ou seja, por trocas periódicas do tegumento (“pele”).

Ao sair do ovo, em grande parte dos casos, o nematoide juvenil já é uma cópia do futuro adulto, só que em miniatura e com o sistema reprodutor rudimentar. Assim, conforme se desenvolve, cresce em tamanho e assim que atinge a fase adulta, amadurece sexualmente.

Na prática, a duração do ciclo pode ser afetada e variar em função de vários fatores: bióticos (planta ou animal hospedeiro) e abióticos (temperatura, umidade). Portanto, pode levar dias, semanas ou, mais raramente, anos. No entanto, a duração média costuma ser de três a quatro semanas.

Quais são os tipos de nematoides?

Os nematoides que atacam as plantas são chamados de fitonematoides e possuem duas classificações:

  • Endoparasitas: ficam localizados, em grande parte do seu ciclo de vida, dentro das raízes das plantas.
  • Ectoparasitas: ficam na parte externa da raiz.

Para que você possa entender mais sobre o tema, separamos o nome das espécies mais comuns nas plantações brasileiras, veja alguns exemplos de nematoides:

  • Meloydogine javanica e M. incognita;
  • Rotylenchulus reniformis (reniforme);
  • Pratylenchus brachyurus.

Nematoides de galhas – Meloydogine incognita

Os nematoides de galhas (Meloidogyne incognita) estão presentes em diversas regiões, especialmente as de clima quente, incluindo as tropicais e subtropicais.

Esse tipo de nematoide atinge, em grande parte, as culturas de soja, algodão, feijão, cana-de-açúcar, tabaco, café, além das plantas forrageiras, hortaliças e frutíferas.

Em geral, as raízes das plantas atingidas por esse nematoide podem ficar gravemente danificadas e suscetíveis ao ataque de fungos e bactérias, já que ele age por meio da penetração das raízes, onde estabelece um sítio de alimentação e forma células enormes ao redor do mesmo.

Nematoide Reniforme – Rotylenchulus reniformis

O nematoide reniforme é uma espécie de larva microscópica que vive no solo e ataca as raízes das plantas. Essa espécie está presente em regiões tropicais e subtropicais, sendo que no Brasil vem assumindo um papel de destaque nas culturas de algodão e soja.

Na cultura de soja, esse nematoide causa o subdesenvolvimento das plantas e a redução da produtividade. Já no algodoeiro, além do subdesenvolvimento, é possível notar folhas mosqueadas ou com clorose internerval (folhas “carijó”).

Nematoides das lesões radiculares – Pratylenchus

Os nematoides das lesões radiculares (Pratylenchus) podem ser localizados nas hortas domésticas. Eles perfuram as raízes das plantas, entram nas células e introduzem seu conteúdo, deixando um rastro de metabólitos e óvulos que matam as células.

Dessa forma, causam a morte das células radiculares devido ao escurecimento e lesões das raízes. De forma rápida, esses danos podem coalescer — ou seja, aglutinam-se de modo intenso — resultando no escurecimento completo das raízes inteiras.

Vale ressaltar que os nematoides das lesões radiculares permanecem inativos quando o solo está seco. No entanto, conforme ele volta a umedecer, os parasitas voltam a agir e reinfectam as raízes frescas da nova safra.

Como o nematoide se manifesta no campo?

O deslocamento de nematoides no solo é bastante limitado. Para chegar às áreas de cultivo, eles se utilizam de diversos meios como a água de irrigação e ventos fortes.

Além disso, os nematódeos podem ser espalhados por meio de mudas produzidas em substratos ou solos infectados, máquinas e implementos agrícolas e até o movimentos de animais e pessoas.

Por isso, a rotação e a sucessão de culturas têm papel fundamental no aumento ou diminuição da população desses organismos no solo.

Sintomas das plantas atacadas por nematoides

planta com nematoide

Planta atacada por nematoides

Em geral, os problemas causados pelos nematoides começam a ser percebidos na parte aérea da planta que, conforme mencionado, passa a ter dificuldade para retirar água e nutrientes do solo. 

Normalmente, os ataques ocorrem nas reboleiras, onde as plantas apresentam sintomas mais evidentes de deficiência nutricional, como pouca resistência à falta d’água ou a extremos de temperaturas, produção reduzida e até morte prematura.

Como identificar nematoides?

Para saber qual a espécie de nematoide está causando doença na lavoura é necessário fazer uma análise de amostras de solo e raízes. 
Recomendações:

  • Coletar 15 a 20 subamostras por hectare, em profundidade de 20 a 30 cm;
  • Enviar cerca de 400 a 500 g de solo e 200 a 300 g de raízes para laboratórios especializados;
  • Somente após o diagnóstico, aplicar medidas específicas para cada espécie.

Algumas dicas:

  • Recomenda-se coletar em torno de 15-20 subamostras por hectare em profundidade de 20 a 30 cm ao redor das plantas;
  • Após a coleta, as subamostras devem ser homogeneizadas em sacos de polietileno, formando amostras compostas de cerca de 400 a 500g de solo homogeneizado e 200 a 300 gramas de raízes coletadas aleatoriamente;

A amostra deve ser identificada e enviada para um laboratório especializado. A ação de combate contra o organismo só deve ser feita com o diagnóstico concluído. Espécies como a Meloidogyne tem ações específicas para ela, por exemplo.

Assista Jornada com o Especialista: Tudo sobre nematóides

Como se livrar de nematoides?

Os métodos de controle têm como objetivo reduzir ou manter a população de nematoides em níveis baixos para que não causem perdas econômicas. Pensando nisso, podemos considerar os seguintes métodos:

Controle preventivo

  • Utilização de mudas e sementes sadias;
  • Manter o terreno limpo, sem a presença de restos de culturas ou plantas daninhas;
  • Realizar periodicamente a limpeza das ferramentas e maquinários agrícolas.

Rotação de culturas

Culturas que não hospedam um determinado tipo de nematoide eliminam de forma total ou parcial estes organismos pela falta de alimento. 

Se em uma área é plantada a mesma cultura suscetível, ciclo após ciclo, as populações de nematoides que se desenvolvem no local tendem a aumentar.

Plantas antagonistas

As plantas antagonistas impedem o desenvolvimento de algumas espécies de nematoides por meio de repelência ou liberação de substâncias tóxicas. Por exemplo, nas plantas armadilhas, o organismo consegue penetrar o sistema radicular, porém, não é capaz de completar seu ciclo de desenvolvimento. Já nas plantas hospedeiras desfavoráveis, o nematoide penetra no sistema radicular, porém, poucos se desenvolvem.

    Controle biológico

    Nematoides predadores, vírus, ácaros, fungos e bactérias atuam como inimigos naturais dos fitonematoides.

    lupa analisando nematoides

    Em todas as práticas citadas, podemos ainda adicionar:

    • Eliminação de camadas compactadas de solo;
    • Melhoria do equilíbrio do pH;
    • Manutenção de bons níveis de potássio.

    O produtor deve adotar cada uma dessas práticas, citadas acima, de acordo com a necessidade de cada área, da espécie de fitonematoide presente e do seu nível populacional. 

    Tecnologia no controle de nematoides

    Tecnologia auxilia no controle de nematoides

    Dados mostram onde o nematoide ataca e onde agir primeiro.

    Ferramentas digitais passaram a desempenhar um papel central no diagnóstico e no manejo. Hoje, é possível:

    • identificar reboleiras com precisão
    • cruzar mapas de produtividade com análises de solo
    • monitorar evolução de infestação safra a safra
    • planejar rotação de culturas com base em risco real
    • aplicar biológicos ou químicos apenas onde necessário

    Essa abordagem reduz custos, aumenta eficiência e acelera o retorno sobre o investimento.

    Um exemplo real: quando o manejo certo vira produtividade 

    Os números revelam a dimensão do problema e, ao mesmo tempo, reforçam como o manejo estratégico com tecnologia transforma a realidade no campo. Um exemplo disso vem do Maranhão, onde uma fazenda que enfrentava forte pressão de nematoides conseguiu reverter o cenário ao combinar tecnologias digitais de diagnóstico com soluções biológicas direcionadas.

    Com o uso de NemaDigital, o produtor cruzou mapas de solo, histórico de produtividade e análises georreferenciadas. Com isso, a equipe técnica identificou exatamente onde estavam as áreas mais críticas. A equipe passou a fazer um manejo cirúrgico: aplicou Arvático® de forma localizada, planejou a rotação e usou biológicos no momento certo.

    Imagem de uma lavoura de soja com duas fotos menores sobrepostas: uma mostra técnicos avaliando plantas no campo e a outra exibe um mapa de talhões. Há também informações destacando o aumento de produtividade de 57 para 67 sacas por hectare e o ganho financeiro resultante.

    Caso real mostra como a gestão com tecnologia aumenta a rentabilidade no campo.

    O resultado foi expressivo:

    A produtividade saltou de 57 sc/ha para 67 sc/ha. Um ganho de +17%. Isso representa 10 sacas a mais por hectare, considerando a R$115 por saca, são R$ 1.150 de retorno por hectare. Em 143 hectares, por exemplo, o produtor coloca R$ 164.450,00 a mais no bolso. 

    Tudo isso porque ele entendeu o solo antes de plantar e usou a tecnologia pra direcionar o manejo com precisão. 

    Esse case mostra que, embora os nematoides sejam um inimigo silencioso, eles não são invencíveis. Quando o produtor tem acesso a diagnóstico preciso, tecnologia e orientação técnica, o impacto muda de direção: sai da perda invisível e entra no ganho mensurável. É a prova de que informação, ciência e digitalização são hoje as ferramentas mais poderosas para proteger o solo, a rentabilidade e o futuro da produção agrícola.

    Gostou desse conteúdo? Então, aproveite e leia nosso artigo conhecendo nematoides: tudo sobre Meloidogyne.

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