Solo Arenoso: o guia completo para o manejo - Syngenta Digital
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Entenda como é o manejo do solo arenoso

4 min de leitura

Fonte da foto de capa: AGEITEC – Embrapa. Quando falamos sobre agricultura e tudo que ela envolve, um dos primeiros tópicos que vem à tona é o solo. A área onde será cultivada uma cultura ou mesmo que servirá de […]

por Giovanna Vallin
22 de outubro de 2021
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Solo arenoso

Fonte da foto de capa: AGEITEC – Embrapa.

Quando falamos sobre agricultura e tudo que ela envolve, um dos primeiros tópicos que vem à tona é o solo. A área onde será cultivada uma cultura ou mesmo que servirá de pastagem na pecuária merece um cuidado especial, ainda mais quando existem diferentes tipos, cada qual com as suas especificidades.  

Aqui vamos destacar um especial, o chamado solo arenoso. Ele tem uma importante representatividade no território nacional e, por isso mesmo, precisa ser estudado a fundo. Neste artigo, preparamos um guia com as principais informações a respeito desse tipo de solo, contemplando desde as suas principais características até as melhores práticas de manejo, continue conosco! 

Índice

O que é um solo arenoso

Triângulo textural explicando texturas e tipos de solos arenosos
Triângulo textural.

Também conhecido como “solo leve”, o solo arenoso é composto em grande parte por areia e uma menor proporção de argila, cerca de 70% e 15% respectivamente. Por ter essa constituição, a presença de nutrientes é bem escassa e a sua granulação é mais alta. Só para se ter uma ideia, é considerada areia quando as partículas têm diâmetro que varia entre 2 e 0,05mm.  

Por sua vez, as partículas de argila, de maior textura, ajudam a melhorar e aumentar a estabilidade de substratos orgânicos e também a parte microbiana. Logo, os solos que contam com maior quantidade desse elemento presente costumam ter uma maior proteção da matéria orgânica.  

Devido aos baixos índices de argila e material orgânica presentes e ao baixo poder tampão, o solo arenoso apresenta reduzida capacidade de reter tanto nutrientes quanto a água. É importante ressaltar que a identificação desse tipo de solo deve ir além da camada arável, ou seja, ele deve ter as características descritas até a profundidade de 75 cm ou mais. 

Comumente esse tipo de solo é encontrado na região Nordeste do Brasil devido às suas características climáticas. Apesar de ser um importante representante na região, o solo arenoso compõe cerca de 8% de todo o território nacional. Sendo também encontrado no Cerrado, considerado o segundo maior bioma da América do Sul, mas um dos 17 mais degradados do planeta Terra.

Características do solo arenoso

Uma das principais características do solo arenoso é o fato de ser granuloso e permeável à água. Por essa razão, há um escoamento rápido, o que faz com que a área seque na mesma velocidade, mesmo quando há irrigação. Inclusive, a tendência é que os minerais também tenham dificuldade de fixação nesses locais. Por isso, apenas algumas espécies de plantas conseguem se desenvolver naturalmente no local, como bromélias e mandacarus

O déficit de cálcio e o pH ácido também merecem destaque entre as características, pois são eles que fazem com que o teor de matéria orgânica seja baixo no local. Consequentemente, as chances de sofrer com a erosão são maiores. Além do mais, a presença de elevada quantidade de alumínio confere toxicidade ao solo.  

Por também ser encontrado em locais em que a temperatura é mais elevada, os microrganismos presentes no local se comportam de maneira diferente quando comparados a outros tipos de solo. Isso tem um grande impacto produtivo, exigindo que o produtor realize um tratamento diferenciado. 

Solo arenoso brasileiro e o uso de tecnologias

Apesar das especificidades, que muitas vezes são vistas como empecilhos para a produção agrícola, o solo arenoso brasileiro é bem aproveitado na agricultura. Hoje, eles são um importante representante na produção de soja, milho e algodão. No Sul do país, por exemplo, onde não tem tanta incidência do calor, esse tipo de solo tem uma maior adaptabilidade.  

Mas só é possível obter essa produtividade graças ao uso de tecnologias como a agricultura de precisão, que assegura as condições ideais para a lavoura. Desde a aplicação de defensivos ao monitoramento de doenças, irrigação e outros. Aliás, não é só a agricultura de precisão que pode e deve ser utilizada, existem outras ferramentas e técnicas que descreveremos mais adiante. 

Como fazer o manejo do solo arenoso

Mão pegando solo arenoso da fazenda

Mas, afinal, quais as melhores práticas para cultivos no solo arenoso? Bem, como já foi dito, esse tipo de solo exige um cuidado e atenção maiores, pois é pobre em nutrientes e ainda é permeável. Ao mesmo tempo, isso não significa que eles sejam inférteis ou improdutivos.  

Portanto, é indicado aplicar resíduos vegetais, mas também adubos orgânicos que tenham em sua composição minerais como o fosfato e o potássio. Outro ponto importante é sobre a acidez. O recomendado é adicionar calcário, visto que ele auxilia no aumento do pH, ajuda a neutralizar o alumínio que é tóxico para as plantas, além de prover quantidade suficiente de cálcio, mas também de magnésio.  

O manejo do solo arenoso exige uma adubação constante e equilibrada. Além disso, é preciso analisar o solo de forma contínua, bem como as condições climáticas, a fim de obter o resultado desejado, especialmente no que diz respeito ao plantio.  

Ao utilizar as práticas adequadas e sustentáveis é possível tornar os solos arenosos mais produtivos e economicamente viáveis. A matéria orgânica e a palhada de cobertura são os principais fatores que ajudam na sustentabilidade, aumentando a reciclagem de nutrientes e a capacidade de reter água. Por essa razão, são mais que bem-vindas culturas que tenham melhor desenvolvimento de raízes, como é o caso das crotalárias e gramíneas de milheto. Além de possuírem um sistema radicular forte, tais espécies também produzem um alto volume de palhada, o que auxilia no processo de preservação da umidade desse solo, diminuição da temperatura, bem como evita o estrangulamento e o dumping off, que é o tombamento de plantas.

Como aumentar fertilidade do solo arenoso

Com a utilização de boas práticas de plantio associadas a tecnologias modernas, é possível obter o máximo potencial das áreas de solo arenoso e torná-lo de fato produtivo. Para aumentar a fertilidade desses espaços, algumas ações são especialmente importantes, conheça algumas delas!

Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF)

Os sistemas em integração são aqueles que focam em diferentes atividades a fim de maximizar o uso da área de solo arenoso, combinando, por exemplo, pecuária, lavoura e floresta. Isso tem reflexo não só na produtividade da área, mas também na diversificação da renda do produtor.  No sistema ILPF, o foco é manter o solo permanentemente vegetado, fazendo a ciclagem de nutrientes e também raízes ao longo do ano, que ajudam na construção física e química da área. Os principais benefícios proporcionados são: a manutenção da fertilidade, redução na perda de água, barreira contra fungos e doenças, entre outros. Portanto, o foco está na diversificação, consórcio, rotação e sucessão de atividades de agricultura e pecuária dentro das áreas rurais, fazendo isso de maneira harmônica e sinérgica.

Sistema de plantio direto

Plantio direto como alternativa

O sistema de plantio direto é outra opção quando se trata de aumentar a fertilidade do solo arenoso. O SPD, como também é conhecido, é um complexo de tecnologias, processos e serviços que submetem o sistema agrícola a um menor grau de perturbação, se comparado a outros modelos de manejo.  

Ele viabiliza a produção agrícola sem preparo prévio do solo, fazendo com que isso aconteça de forma contínua. Para manter essa produtividade, são usadas menos máquinas e equipamentos. As vantagens desse sistema são a eliminação da erosão, maior aproveitamento de fertilizantes e redução da decomposição da matéria orgânica.

Adubação verde

Uma boa alternativa para aumentar a fertilidade do solo arenoso é a adubação verde. Basicamente, essa ação consiste em usar plantas, que podem ser de espécies como gramíneas ou leguminosas, a fim de garantir uma proteção da área e também melhorar as condições biológicas, físicas e químicas do solo. 

Ao adotar a adubação verde também evita-se o processo de erosão, ao mesmo tempo em que é possível ter uma área com maior riqueza de nutrientes e matéria orgânica. Ambas essenciais para a produtividade das culturas. 

Rotação de culturas

Cultivo de  soja no solo arenoso

A rotação de culturas é uma importante aliada na manutenção da palhada em locais de solo arenoso, contribuindo assim para a nutrição do mesmo. A palhada obtida por meio de leguminosas tende a uma decomposição mais rápida. Isso porque a relação entre carbono e nitrogênio é menor, por outro lado, elas proveem riqueza de nitrogênio. 

Por sua vez, temos as gramíneas que contam com uma palhada que permanece por um longo espaço de tempo sob o solo, ao contrário das leguminosas, elas são carentes em nitrogênio, com grande quantidade de carbono em sua constituição.  

Por exemplo, o produtor pode cultivar soja na época do verão e optar pelo milho e brachiaria na entressafra. Com isso, ele terá na soja a possibilidade de obter renda e por meio do milho mais a brachiaria terá o aporte de nitrogênio necessário para o solo. Depois da colheita, a brachiaria pode servir como pastejo para o gado ou palhada para a próxima safra. 

Conclusão

Vale a pena lembrar que solo arenoso não é sinônimo de improdutividade, mas que sim, ele deve receber cuidados especiais para poder ser aproveitado da melhor maneira e o produtor obtenha o resultado desejado. Como visto, tecnologias e métodos são o que não faltam para auxiliar nesses cuidados.  

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