Análise do solo: o guia completo do produtor rural - Syngenta Digital
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Análise de solo: como fazer e interpretar os laudos

4 min de leitura

Como produtor agrícola, você sabe bem que o solo está entre os elementos mais importantes para a produtividade da sua safra. Mas nem sempre a terra está em condições ideais para o plantio — o excesso ou a falta de […]

por Giovanna Vallin
29 de outubro de 2021
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Análise de solo

Como produtor agrícola, você sabe bem que o solo está entre os elementos mais importantes para a produtividade da sua safra. Mas nem sempre a terra está em condições ideais para o plantio — o excesso ou a falta de nutrientes, a erosão, entre outros aspectos, pesam muito na qualidade final e garantia de lucro, não é? 

Por essa razão, manter uma periodicidade correta de análise do solo vai garantir que sua produção tenha menos surpresas negativas e que a safra seja de qualidade. Até porque, muitas vezes a falta de nutrientes não permite que uma planta cresça de acordo com as expectativas. 

Então, se você busca dicas para melhorar a qualidade do solo, está no artigo certo! A seguir, trazemos em detalhes tudo o que é necessário fazer para uma análise do solo eficiente. Em geral, é um cuidado de baixo custo e que faz toda a diferença. Acompanhe o texto para saber mais! 

Índice

Por que fazer a análise do solo impacta o planejamento agrícola?

Sem a análise do solo, você não tem um diagnóstico preciso em relação às condições do solo, sejam elas químicas ou físicas. Assim, faltam informações como teores nutricionais, acidez e o tamanho das partículas. 

Esses dados são relevantes porque permitem entender a fertilidade da terra, verificar a necessidade de quais nutrientes serão usados para a adubação e se é preciso fazer a calagem, por exemplo. 

Dessa maneira, o agricultor pode esperar por uma garantia de uma alta produtividade aliada a preservação do meio ambiente, mantendo a sua terra fértil e conservada. Ou seja, essa análise é essencial para manter as melhores condições para as culturas a serem plantadas.

Amostra de solo

O que é a análise do solo?

Como você viu, a análise de solo é um instrumento básico para que possamos fazer um diagnóstico do estado da terra de uma forma bem completa. Com essa verificação, os produtores rurais entendem como está a fertilidade do solo e fazem as devidas correções. 

A análise também possibilita entender qual o risco de erosão da terra, permitindo aos produtores tomar os cuidados necessários e até realizar alternância de plantios para que o solo seja recuperado. Para tanto, falamos em dois tipos de análises de solo. Entenda a seguir.

Quais são os tipos de análise do solo?

Uma análise do solo completa precisa ser tanto química quanto física, que são os dois tipos mais utilizados. Explicamos seus diferenciais, veja!

Física

A análise física do solo também é conhecida como granulométrica. Esse tipo é responsável por determinar as frações minerais da terra, verificando porcentagens de argila, silte e areia. A partir dessa análise, nós podemos classificar o solo dentro dos tipos estabelecidos pelo Ministério da Agricultura — se é arenoso ou argiloso, por exemplo. 

Dessa forma, entendemos qual é a necessidade de água para o plantio, o índice de erosão da terra e qual será a mecanização mais adequada. São cuidados interessantes tanto para que o produtor não sobrecarregue o solo com excesso de água ou não intensifique a erosão usando o maquinário errado. 

Química

Tanto o plantio direto quanto o convencional influenciam na questão dos nutrientes do solo. Por essa razão, é preciso entender como estão os macronutrientes e os micronutrientes do solo. Afinal de contas, boa parte dos solos brasileiros não apresentam condições químicas naturais adequadas para o bom desenvolvimento das culturas. 

Assim, o dimensionamento é feito em cima de todo nutriente que a planta necessita em grande quantidade (os macronutrientes), além daqueles em que é preciso doses menores (no caso, os micronutrientes). 

Além desses dois tipos (químico e físico), existe um terceiro: a análise química da planta ou do tecido vegetal, que é menos comum no Brasil. Nessa espécie de análise, é checada a interação entre solo, planta e clima, garantindo que o manejo é adequado. Com esse cuidado, você percebe se existem deficiências, toxicidades e verifica questões causadas pela deficiência de nutrientes. 

Entre todos os órgãos da planta, normalmente a folha é que reflete melhor o estado nutricional de carência. 

A análise física exclui a química?

De forma alguma. Pensando na qualidade da sua terra, tanto a análise do solo química quanto a física são essenciais. Afinal, enquanto a física verifica de forma mais aprofundada a textura do solo, entendendo se existe mais areia ou argila, sua densidade e porosidade, por exemplo, a análise química vai mais a fundo, compreendendo a questão nutricional. 

Se seu solo tem uma carga alta de matéria orgânica ou conta com acidez em excesso, é a análise química que vai permitir verificar o melhor jeito de corrigir a terra. Por esse motivo, as duas análises se fazem indispensáveis, até porque elas são complementares, não excludentes, certo? 

Lembre-se de que o primeiro passo para a análise de solos é a amostragem. O resultado eficiente da análise depende dela — até porque, mais de 90% dos erros nos resultados das análises decorrem da coleta inadequada, o que vai trazer prejuízos sérios ao produtor. 

Como fazer análise de solo?

Você precisa levar em conta alguns critérios para fazer a amostragem que será enviada ao laboratório para executar as análises. Entenda melhor.

Definição do local da amostragem

Coletar amostras de glebas que vão receber o plantio é fundamental. Por isso, faça a divisão da área total, mais heterogênea, em glebas homogêneas, que serão delimitadas de acordo com textura, coloração, relevo, vegetação, adubação e calagem de anos anteriores e histórico de manejo, por exemplo. 

As áreas escolhidas para a retirada de amostragem deverão ser percorridas em zigue-zague de forma aleatória. 

Um cuidado importante é limpar o local, eliminando capim, pedras e demais resíduos. Também, evite locais nos quais existiu queima de restos culturais ou tocos, presença de formigueiros ou cupinzeiros, depósito de adubos, local de deposição de fezes e pastagens. 

Coleta de cultivos com o método zigue e zague

Colete diversas subamostras

Para cada área homogênea, colete cerca de 15 a 20 amostras simples que podem ser colocadas em um balde limpo. Quebre os torrões dentro do balde e retire pedras e pedaços de madeira ou outros resíduos e misture bem formando uma amostra composta.  

Desse material, selecione cerca de 250 a 500 gramas para envio ao laboratório. As amostras compostas devem ser acondicionadas em sacos plásticos e enviadas ao laboratório contendo as informações a seguir:  

  • nome do solicitante e da propriedade; 
  • endereço; 
  • número da amostra; 
  • data da coleta; 
  • profundidade; 
  • local de coleta; 
  • cultura existente; 
  • o que será plantado na área 
  • tipo de relevo.  

Amostra composta ou simples?

Em geral, são separadas dois tipos de amostras. As compostas, ou seja, são várias simples coletadas — é dela que se retiram cerca de 500 gramas para enviar para o laboratório. E as simples, que são a porção coletada em cada ponto da gleba. 

Use as ferramentas ideais 

Dependendo do tipo de solo, serão usadas ferramentas específicas. Porém, em geral, essa lista abaixo é suficiente: 

  • enxada ou enxadão; 
  • pá reta; 
  • tubo de sonda de amostragem; 
  • trados holandês 
  • trado caneca; 
  • pá de jardinagem. 

Faça na época mais certeira

Não existe uma época melhor ou pior para a análise do solo, desde que você observe as melhores condições, que são: 

  • antecedência para realizar a correção de acidez do solo (de 3 a 6 meses antes do plantio, contando o tempo de coleta e agilidade do laboratório); 
  • evitar amostragens feitas logo após o uso de fertilizantes. 

Envie a laboratórios credenciados

Para enviar as amostras, você deve embalá-las em sacos plásticos para evitar contaminação, com a identificação já proposta anteriormente neste artigo. 

Agora, para garantir a confiabilidade do laboratório, verifique a existência de certificações, dadas por instituições públicas e privadas — isso traz tranquilidade quanto ao uso e a eficácia de metodologias seguras e análise de qualidade. Uma delas é o Programa de Análise de Qualidade de Laboratórios de Fertilidade.

A periodicidade das análises

Recomenda-se que a frequência da análise do solo seja anual. Dessa maneira, caso exista a necessidade, as correções podem ser prontamente realizadas para a próxima safra. 

E não se esqueça: guarde as análises do solo da sua propriedade para, assim, poder realizar a comparação entre elas e observar se a estratégia de correção está surtindo efeito. 

A amostragem pode ser realizada em intervalos de um a quatro anos, podendo ser variável em função do manejo adotado.

Como é um laudo de análise de solo que vem dos laboratórios?

Saiba que o laudo análise de solo é gerado por meio de uma minuciosa verificação que testa e identifica a presença dos componentes presentes no local, como acidez, nitrogênio, teores de cálcio, micronutrientes, enxofre e demais itens. 

Assim, quando você tem em mãos esse laudo, consegue fazer as devidas correções na terra, como o uso de calcário no solo, os defensores agrícolas na quantidade ideal, assim como a adubação, que não vai sobrecarregar a terra. 

Em geral, os laudos trazem dados de cada uma das amostragens e fazem tanto a análise física quanto química. 

Como interpretar a análise do solo

Em geral, um laudo de análise do solo tem essa parte, referente à química: 

Resultado de análise química no solo

Aqui, verificamos as colunas de: 

  • pH (água, SMP, CaCl2 e KCl);  
  • P (teor de fósforo em Resina e Mehlich); 
  • S (teor de enxofre) 
  • K (teor de potássio);  
  • Na (teor de sódio); 
  • Ca (teor de cálcio); 
  • Mg (teor de magnésio), Al e H+Al (mmolc/dm3);  
  • M.O. (teor de matéria orgânica). 

Na sequência, vemos a análise complementar:

Resultados complementares de análise do solo

As siglas correspondem a SB (soma de bases),t (CTC efetiva), CTC (capacidade de troca catiônica), V% (saturação por bases), que devem ser analisadas para a compreensão exata de como será a correção do solo. 

Também temos a análise física:

Resultado de análise física do solo

Interpretação de análise de solo para soja 

O manejo da terra para o plantio de soja também se beneficia da análise do solo, assim como qualquer outra cultura. Porém, para esse plantio específico, de acordo com a Embrapa, a amostragem de solo deve ser feita logo após a maturação fisiológica da cultura anterior à soja.  

Já a profundidade de amostragem do solo corresponde à camada arável (0-20 cm) que, no geral, é a mais alterada pelo manejo do solo, seja pela adição de corretivos, fertilizantes ou restos de outras culturas. 

Vale dizer que a análise do solo é necessária para a melhora da produtividade. Isso porque podemos identificar quais nutrientes ou fatores químicos do solo que estão limitando o crescimento das plantas. Outra razão é que pode-se fazer uma adubação eficiente, sem excedentes, que vão acabar sobrecarregando o solo. 

Por isso, as análises de solo devem ser feitas todo ano — seguindo as recomendações que passamos. São análises simples, rápidas e que tem custo relativamente baixo, quando você compara com os benefícios: safra de qualidade e menor desgaste da terra. Então, vale a pena contar com as análises em seu planejamento, não acha? Falando em planejamento, veja como você pode fazê-lo em sua produção rural.

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