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Feijão guandu: tudo sobre a cultura

4 min de leitura

Saiba tudo sobre o feijão guandu, incluindo os benefícios e aprenda a utilizar a leguminosa como adubo e muito mais. Confira!

por Giovanna Vallin
30 de dezembro de 2021
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Plantação de feijão guandu

O Brasil é o maior produtor de feijão comum do mundo, segundo a Embrapa. Apesar deste título, o país não fica atrás quando se trata de outros tipos desta leguminosa. 

O feijão guandu, mesmo não estando entre os mais populares, possui grande importância para os produtores que o cultivam.

Tal importância se deve ao fato de o grão ser altamente nutritivo, servindo como alimentação humana e animal (bovinos e aves), bem como trazendo diversos benefícios ao solo. 

Nos tópicos a seguir, mostraremos mais detalhes sobre a espécie, desde as suas características mais comuns até as ações mais acertadas, quando se trata do combate de pragas na cultura. Confira!

O que é feijão guandu?

Broto de feijão guandu

O feijão guandu (Cajanus cajan) é uma leguminosa arbustiva que pertence à família das fabáceas. Também conhecido como andu, ele está presente em diferentes partes do país, como nos estados de Minas Gerais, Goiás, Bahia e Piauí. Isso se deve à sua fácil implantação e manejo, bem como à alta adaptabilidade.

A leguminosa é originária da Ásia tropical, mas foi trazida ao Brasil junto aos escravos vindos da África. Com isso, ela foi sendo distribuída pelo território nacional e semi-naturalizada na região tropical.

Além de servir para alimentação humana (em pratos típicos e sopas), é utilizado como:

  • Forragem animal – rico em proteína, aumenta o teor de nutrientes em dietas de bovinos e aves;
  • Adubo verde – melhora a fertilidade e estrutura do solo, recuperando áreas degradadas;
  • Planta de cobertura – protege o solo contra erosão e mantém umidade.

Quando consorciado com o milho, o guandu pode aumentar o teor de proteína bruta da dieta em até 6%, além de auxiliar no controle de plantas daninhas e pragas.

No caso de utilização para a pastagem de animais, quando o guandu é semeado em consórcio com o milho, pode aumentar os níveis da proteína bruta da dieta em até 6%. Já com relação à adubação, o guandu pode ser cultivado junto da cana-de-açúcar, a fim de recuperar áreas devastadas.

Quais são as características da planta?

Feijão Guandu

As principais características do feijão guandu são: arbusto semidecíduo, com altura entre 1 e 4 m, sistema radicular do tipo pivotante, com raiz principal que pode atingir até 3 m de profundidade, e raízes secundárias que, por sua vez, são finas e podem chegar a até 30 cm.

Ele apresenta um caule lenhoso e folhas trifolioladas, com folíolos lanceolados ou elípticos, e tamanho variando entre 4 e 10 cm de comprimento. As flores que surgem com seu desenvolvimento apresentam uma cor amarela ou amarelo-alaranjado com variações de estandartes salpicados em tonalidade púrpura e/ou avermelhadas.

As vagens do feijão guandu são indeiscentes, ou seja, não se abrem espontaneamente, e têm cores que podem ser verde-marrom ou púrpura. Nas vagens, são encontradas de duas a nove sementes, que são bem duras quando secas.

Ciclo do feijão guandu

O ciclo anual produtivo do feijão guandu dura entre 90 e 180 dias, essa variação ocorre porque a leguminosa é sensível ao fotoperíodo, ou seja, a quantidade de luz que recebe a cada dia, do amanhecer até o pôr do sol.

Além disso, a espécie deve ser cultivada entre 20 e 40 ºC, temperatura que pode variar ao longo do ciclo e precisa de, no mínimo, 500 mm de chuva. Já a colheita deve ser feita após 200 dias ou então quando atingirem 90 cm de altura.

Variedades de feijão guandu

Ao analisarmos a presença do feijão guandu em todo o território nacional, pode-se notar que o nome do alimento apresenta variações em determinadas regiões do país. 

Sendo assim, é possível encontrar os seguintes nomes dados à leguminosa: Andu, Anduzeiro, Guando, Guandeiro e Ervilha de Pombo.

Além disso, a espécie também apresenta variedades de tamanho, coloração e características das sementes. De início, o grão apresenta a cor branca, depois esverdeada e, quanto mais maduro, mais castanho tende a ficar.

A importância da cultura

Gado num pasto com feijão guandu

Como dito anteriormente, o feijão guandu possui diversas aplicações, além da alimentação humana e animal. Ele é bastante utilizado como adubo verde, mas também em rotação de culturas, por oferecer uma cobertura do solo com material vegetal. E quais os benefícios disso?

O fato de cobrir o solo faz com que haja uma redução no impacto das chuvas, reduzindo assim a erosão e lixiviação de nutrientes, além, é claro, de restringir a presença de plantas invasoras. A leguminosa também é capaz de fornecer rica matéria orgânica para o solo.

Além de o guandu apresentar elevada produção de fitomassa, tem alta concentração de nutrientes na folha e, por ele ser uma leguminosa, a sua capacidade de fixar o nitrogênio atmosférico é excelente, criando a combinação perfeita para uma boa planta de cobertura.

Mesmo em solos de baixa fertilidade, a leguminosa consegue extrair fósforo, potássio e fixar nutrientes, obtendo boa produtividade. Inclusive, fazer a rotação com esta cultura pode ajudar a melhorar o sistema produtivo do plantio que virá em seguida.

Sistema de produção

A melhor época para produção do feijão guandu é no período chuvoso, especialmente entre novembro e dezembro.  
 
O plantio deve seguir estas recomendações: 

  • Espaçamento: entre 40 cm e 1 m entre linhas; 
  • Profundidade das sementes: de 2 a 5 cm; 
  • População: cerca de 10 plantas por metro linear; 

Como o feijão guandu tem desenvolvimento inicial lento, a capina deve acontecer de quatro a oito semanas após o plantio.

Controle de pragas e doenças

O feijão guandu não é tão suscetível a doenças e pragas, como outras espécies que encontramos na agricultura. Mas é muito importante lembrar que o controle de plantas invasoras deve ser feito antes mesmo da semeadura, para que não ocorra competição por água, luz e nutrientes.

As principais ameaças são:

  • Formiga-saúva: corta folhas e ramos — controle com iscas formicidas e monitoramento contínuo;
  • Lagartas: atacam folhas, flores e vagens — recomenda-se o manejo integrado de pragas (MIP) com armadilhas e controle biológico.

A formiga-saúva, por exemplo, é uma praga da cultura, sendo capaz de causar danos nas folhas, flores e ramos, a fim de que seja cultivado o fungo simbionte, essencial para a sua alimentação.

A lagarta é outra representante do grupo de pragas que atacam o feijão guandu. Assim como as formigas, elas atacam flores e folhas, mas também vagens.

Em ambos os casos, é preciso empregar o manejo correto. No caso das saúvas, as iscas ou formicidas são boas escolhas e ajudam a afastar a praga da cultura. Logo, fazer o constante monitoramento da área e realizar o manejo integrado de pragas são ações que garantem a manutenção da produtividade e qualidade do grão.

Leia também: Como aplicar o Manejo Integrado de Pragas (MIP) na lavoura

Benefícios do feijão guandu

Além de ser uma excelente opção para alimentação animal, o feijão guandu pode ser um importante agente no incremento da produtividade de outras culturas, dada a sua capacidade auxiliar na sanidade dos solos.

Agora que você já conhece sobre a espécie, leia mais sobre a importância da adubação orgânica e o diferencial que ela traz para os solos!

Perguntas frequentes sobre feijão guandu

Como cultivar feijão guandu?

Para cultivar o feijão guandu, é preciso que o plantio seja feito em solo profundo, tenha espaçamento entre 40 centímetros e 1 metro, além de precisar de boa drenagem a fim de evitar encharcamentos.

Quanto tempo dura o pé de guandu?

Em geral, o ciclo do feijão guandu pode levar em torno de 90 a 180 dias.

Qual época de plantar feijão guandu?

A época ideal para plantação do feijão guandu é durante o período de chuvas, principalmente entre novembro e dezembro.

 

Conclusão:

O feijão guandu é muito mais que uma simples leguminosa, é um aliado da sustentabilidade e da produtividade agrícola.
Por sua rusticidade, valor nutricional e capacidade de regenerar o solo, ele se torna uma escolha estratégica tanto para pequenos produtores quanto para sistemas integrados.

Investir nessa cultura é apostar em solos mais férteis, lavouras mais equilibradas e uma agricultura mais resiliente e sustentável. 

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